18 de set de 2013

A Hora do Pesadelo - Capítulo 6 - Ele pegou o Jesse

POV JESSE
Bati o pé freneticamente sobe o colchão desconfortável da cela. Era a segunda vez que me estapeava para me manter acordado. O preso do beliche de baixo não parava de reclamar do meu jeito esquisito. Aquilo não era justo. Só fazia algumas horas que tinha perdido minha namorada da forma mais cruel e desumana. Eu não fiz nada com ela, jamais a machucaria. Eu a amava, eles não percebiam isso? Nancy e Justin pareciam assustados demais para falar alguma coisa. Ele estava preocupado em acalmar Nancy, fazê-la parar de chorar. Não foi uma tarefa fácil. E durante esse momento, quando ainda estava de joelhos na frente da minha namorada morta, que os policiais me prenderam  sobe o olhar assustado dos dois. Fui preso por um crime que jamais cometeria. Não tive tempo de conversar com meus pais, e para ser sincero eu não queria. Nancy estava certa, mais uma vez certa. Sempre que dormimos, damos a Freddy uma nova chance de nos matar. Assim como Dean, Lola morreu enquanto dormia; acreditando no que falei, confiando em mim que dizia que aquilo não era real. Eu estava dormindo, assim como ela, porque ele não me matou? Porque ela, justamente ela?
Ainda lembro do olhar frio e assutado que Nancy lançou para mim, enquanto ela abraçada por Justin. É, ele gostava dela, me contou à alguns meses, apesar de achar que ele a ama desde sempre, e só se deu conta disso há pouco tempo. Mas aquilo não era tão importante pra mim. Desejava poder voltar no tempo e ouvir o conselho de Nancy e não deixar Lola dormir. Eu também não queria fechar os olhos.
- Dá pra parar com isso, idiota? Estou tentando dormir! - gritou o cara de baixo. Cocei os olhos, tentando controlar a vontade absurda de dormir. Arregalei os olhos quando a porta da cela de abriu, fazendo um barulho irritante invadir meus ouvidos.
- Vamos garoto, seus pais pagaram a fiança. - disse o mesmo policial gordinho que me trouxe para cá. Saltei da cama sem qualquer animação e sai daquele cubículo. Talvez, pudesse tomar algo que me mantivesse acordado o máximo de tempo possível. A luz do corredor ficou fraca, e em seguida começou a piscar. Parei instantaneamente onde estava. Tinha algo errado. Não há fiança para um crime de homicídio. Quando percebi o que estava realmente acontecendo, virei para trás vendo apenas uma parede branca á poucos centímetros de mim.
- Droga. - resmunguei antes de todas as luzes se apagarem. Tentando me manter nas pernas, segurei um grito quando tudo ficou escuro. Segundos depois parecia que não estava mais no mesmo lugar. Era diferente de todos em que visitei em sonhos. Parecia-se muito com um matadouro. Tudo que queria era ser acordado, mas meus pés pareciam estar presos na escada de ferro.
- Jesse... Jesse me ajude. - como que acordando ao ouvir a voz de Lola, desci degrau por degrau com desconfiança e medo. Mas aquele silêncio cortado por barulhos estranhos e assustadores me deixava nervoso.  Olhava para tudo que podia, mas minha caminhada foi interrompida por criancinhas a minha frente. Elas não sorriam, pareciam quase tão tristes e assustadas quanto eu. Reconheci algumas delas e para meu total espanto, lá estavam as miniaturas de Lola, Dean, Justin e Nancy. Todos tinham aspectos de pessoas mortas, exceto por Justin e Nancy.
- Eu avisei, não avisei? Agora vai ter que arcar com as consequências. - a miniatura de Nancy falou com um sorriso sinistro, e os outros concordaram.
- Se esconda, ele vai pegar você. - aconselhou a loirinha e doce mini Lola. Justin, ou seu "eu" de cinco anos apontou para algo atrás de mim. Quando virei, percebi do que se tratava. Freddy ergueu as lâminas e as usou para arranhar os canos, o barulho que se seguiu foi terrivelmente assustador. Não esperei que ele fale mais nada e saí correndo o mais rápido que minhas pernas trêmulas permitiam.
- Socorro Jesse. - chamou Lola mais uma vez. Eu não sabia se tentava encontrá-la ou se corria para longe do cara que está com facas na mão e tentando me matar.
- Vamos brincar de pega-pega? Tudo bem, então. Está comigo. - ele disse atrás de mim. O infeliz andava tão normalmente que me perguntei se estava realmente correndo. Virei em um corredor na direita, e depois á esquerda. De olhos arregalados, parei no mesmo instante, o medo e horror a flor da pele. Tinha vária pessoas mortas, penduradas em iscas de ferro presas a parede, e meu Deus entre elas estava a minha Lola.
- Oh Deus. - sussurrei assutado. O corpo parecia tremer mais do que o normal quando senti uma respiração bater em minha nuca. Virei rápido, vendo quem eu mesmo desejava .
- Não... Apenas eu.
- O que quer de mim?
- Não sei Jesse. Acha que se pode voltar no tempo? - Freddy perguntou enquanto andava, me fazendo recurar devagar. Me vi sem saída quando minhas costas bateram no corpo sem vida de Lola. - RESPONDA!
- Não.
- Acha que os mortos podem voltar a via?
- Não. - tremi, me encolhendo.
- Foi o que pensei. - riu passando as facas nas minhas costas enquanto gritava de medo. Já ajoelhado no chão, as mãos cobrindo o rosto, ele parou o que fazia. Sua risada ainda continuava a reinar no local.
- Porque está gritando, nem cortei você ainda. - comentou diabólico, e fiquei ainda mais encolhido com a cabeça no joelho à espera de um golpe fatal. Aquilo não aconteceu. Ouvi passos ficando distantes e depois nada mais era ouvido além do som da minha respiração. Porque ninguém me acorda, mas que droga! Dei um passo a frente. Será que ele foi embora?
- Pensando em mim? - foi tudo que ouvi antes de ter o coração atravessado por quatro facas de trás para frente e meu corpo cair sem vida no chão.
[...]
POV NANCY
- Será que você nunca vai parar de comer isso? - brincou Justin quando levei mais um Doritos a boca. Ele sentou ao meu lado no banco da pracinha. Acabamos de sair de uma missa dedicada a minha melhor amiga, Lola. Era terrível ela ter morrido, ainda mais do jeito que morreu. E mesmo tentando, Justin não conseguia me fazer esquecer o que vi naquele quarto. Talvez ele esteja tentando esquecer também, ou simplesmente tentando diminuir o clima pesado e triste. Mas não era fácil. Ela era minha melhor amiga, a melhor de todas.
- Quem ligou? - perguntei vendo-o guardar o celular no bolso. Ele suspirou e me olhou em seguida.
- O Jesse, ele...
- O que houve com ele, Justin?
- Ele morreu á algumas horas atrás enquanto dormia. Freddy o pegou. - soltou de uma vez. Não sabia o que falar ou dizer. Ele era meu amigo também. E senti o mesmo que senti quando Lola morreu. Raiva, dor, tristeza, impotência. Uma brisa chacoalhou meus cabelos, ainda absorvendo a notícia da morte de Jesse.
- Nós precisamos fazer alguma coisa. - falei depois de algum tempo.
- E o que vamos fazer?
- Eu tenho sonhado com uma escola. E também sempre tem uma criança.
- Crianças?
- É, você, Lola, Jesse, Dean. Mas é muito confuso porque só conheci vocês no fundamental. - respondi. Ele chegou mais perto.
- Você me vê com cinco anos?
- É, porque?
- Porque eu também sonhei com você quando era criança, e também vi a escola. Espere, acha que pode ter alguma ligação? - perguntou ele.
- Talvez, nada disso apareceria nos pesadelos por acaso.
- Mas e Freddy? Quero dizer, eu não me lembro dele, jamais conheci alguém chamado Freddy. E porque ele nos persegue, porque está matando nossos amigos? Tentando nos matar?
- Eu não sei mas acho que nossos pais estão escondendo alguma coisa. Temos que descobrir um jeito de pará-lo, Justin. - retruquei cansada. Estava a tempo demais acordada. Ele me abraçou e depositou um beijo doce nos meus cabelos. Aquilo me fez sentir segura, mas ao tempo, fiquei temerosa que o mesmo acontecesse com ele.
- Faremos assim. - folgou um pouco o abraço, olhando para mim. - Falamos com nossos pais, e depois nos encontraremos à tarde na biblioteca da cidade.
- Mas e se ele nos pegar antes...
- Ele não vai, pequena. Confie em mim, vai dar tudo certo. - afirmou ele deixando um doce carinho em minha bochecha. Certo, vamos então descobrir o porque de tudo isso.

Notas Finais:
Então, depois de tanta demora aqui estou novamente. Não acho que esse cap ficou grande coisa, mas já estou trabalhando em outro cap e vou tentar fazer melhor, ok? O que acharam? Vou ser sincera, teve alguns momentos que pensei em desistir dessa fic, mas depois comecei a ver o filme novamente e escrevi e quando percebi já tinha escrito o cap inteiro. Espero que tenham gostado, me digam o que acharam, ok? Beijos :D
Morte de Jesse: http://www.youtube.com/watch?v=Klke1EjnU_Y

13 de set de 2013

My Dear Nerd - What If - Capítulo 47 - A Última Semana

 
 POV JUSTIN
- Será que dá pra você parar de comer minhas empadinhas, loira? Pare de roubá-las de mim! - rerclamou Anna, parecendo bem irritada. Ashley sorriu dando de ombros.
- Não estou roubando, apenas estou pegando sem pedir.
- Isso é roubar.
- Não é não. É pegar sem pedir, ué! - deu de ombros novamente.
- Tudo bem, Ash, você pode comer as minhas empadinhas. - falou Damon, levando o seu prato para perto dela; Ashley sequer olhou para ele.
- Me diz aí, Jujubona, como foi lá? Atlânta é legal? - tornou a perguntar a loira. Ao meu lado, Anna não parava um segundo de por comida na boca. Era fofo, devo admitir. Mas também era muito engraçado, porém ela parou o que fazia ao ouvir a pergunta da amiga. Os outros também pareciam bem curiosos, loucos para saber a reposta.
- É legal.
- E você conseguiu uma gravadora? – continuou a perguntar.
- Não.
- Ah, Jujuba! Jujubinha, Jujubona! Eu sinto muito! - disse com as mãos no rosto, não acreditando no que tinha ouvido. Ok, foi fofo.
- Tudo bem. Estou em casa, com as pessoas que amo e isso basta.
- Certeza?
- Uhum.
- Tá, então o que tem naquela mala? - perguntou curiosa e ri com isso. Essa é a Ashley o que posso fazer? Andei até a mala extra, e a puxei para meu colo. Quando a abri, a loirinha parecia ter os olhos anda mais azuis quando viu o conteúdo da mala.
- Ai, por mil esmaltes coloridos! Jujubona, é o meu kit de esmaltes Dona Kajju Bijú! – berrou Ashley tirando animada, um saco com o kit de esmaltes que achamos por lá, e que tínhamos certeza de que ela gostaria muito. Dito e feito. A cada vez que ela pegava alguma coisa do kit, passava as mãos delicadamente sobre a embalagem e tornava a guardar com muito cuidado, como se fosse algo bastante precioso para ela. – Isso é tão legal! É lindo como eu, olha pra isso, abelha! – continuou, contente.
- Como é que diz, Ashley? – perguntou Anna, já de boca vazia, como se falasse com uma criança.
- Ah, é, brigadinha Jujuba por me dar esse kit da Dona Kajju Bijú, perfeito como eu. Você é um açúcar de pessoa! – agradeceu ela. Ri junto a Anna, Mike e Damon. Vasculhei um pouco mais, lá dentro, e vi algo para os garotos. Os tirei de lá e entreguei as sacola para os dois. Mike foi o primeiro a abrir o seu presente, e de lá tirou um caderno de caligrafia, bastante útil para a escola – vi que ele precisava melhorar a escrita dele, a sua letra era um horror, pior que um garrancho. E sim, o ajudei com algumas atividades escolares e, para mim, estava traduzindo do Latim para o Inglês – e uma jaqueta de couro preto. Ele agradeceu, meio confuso pelo caderno de caligrafia. Ué, a culpa não é minha se a letra dele é feia! Damon abriu o seu em seguida, vendo também uma jaqueta de couro preta, e uma espécie de kit Ante-Chutes-no-Traseiro – Anna não gostou muito desse último presente, ela pretendia chutar o traseiro do amigo – e ele pareceu feliz por ter algo para proteger o seu traseiro dos pés certeiros de Anna.
- Vocês esqueceram de olhar direito o que tem na sacola. - recomendei. Sem demora, os dois puxaram de dentro de seus respectivos sacos, um livro intitulado: Garotas, e como Conquistá-las by Aighton Far. Eles tinham sorrisos nos rostos, e eu sabia que eles praticamente devorariam os livros assim que tivessem chances. Gostaria de dar algo mais instrutivo como Atlas ou livros de História, ou até mesmo Peixes e seu Maravilhoso Mundo, mas eles não iriam gostar.
- E você deve fazer isso com o seu saco também, Ash. - disse para a loira. Empolgada, ela tirou do saco outro livro. No caso dois: Garotos, e como Conquistá-los by Aighton Far e Unha do Meu Coração de Victória Barch(este último era um tanto grossinho, com a capa rosa forte e brilhos, parecendo diário de uma menina de doze para quinze anos).
- JUJUBA EU SEMPRE QUIS ESSE LIVRO! BRIGADINHA! - gritou ela referindo-se ao Unha do Meu Coração, deixando um beijo desajeitado e molhado na minha bochecha. Anna riu, vendo a empolgação da loira, que também parecia muito satisfeita com os seus presentes.
- Fico feliz que tenha gostado.
- É, valeu cara! Nós adoramos os presentes, agora as gatinhas estarão no papo. - Mike agradeceu por ele e Damon; que não escondia seu interesse pelo livro. Anna o olhava de esguelha bem desconfiada.
- Por nada.
- E você trouxe algo pra Abelha? – perguntou Ashley. Anna Mel me encarou curiosa, enquanto eu tirava uma sacola grande do fundo da mala. Entreguei para ela, sorrindo largo.
- Espero que goste. – foi o que falei. A primeira coisa que ela viu quando abriu o saco grande foi o Doritos de 5k, junto ao Ruffles Cebola e Salça do mesmo peso e tamanho. Os olhos dela pareciam brilhar - mais do que o normal é claro -, admirando os dois ‘amados’ salgadinhos. Sim, a mala era bem grande. E sim, ela parecia uma bobinha olhando para as embalagens.
- Nossa, obrigada, eles são lindos. – agradeceu ela, feliz e sorridente. Abraçando os dois pacotes de uma só vez. Ou tentando fazê-lo. E caso me perguntem o que aconteceu com aquele outro pacote lá, que dei a ela de presente de aniversário... Bem, acho que vocês já sabem a resposta. Ela o devorou tudo e sozinha em um único dia. Acredite se quiser.
- Ainda tem mais.
- Tem?
- É só voltar a olhar o saco. – curiosa, Anna me obedeceu e abriu a sacola. Tirou de lá, um livro fininho, de capa rosa com detalhes em branco e preto. Seu título, A Bailarina Fantasma por Socorro Acioli. E outro, um pouco mais grosso que se intitulava: Receitas Extraordinárias; um livro que é de lamber os beiços! by Yminézia Price.
- Eu encontrei na seção internacional, é brasileiro, foi lançado no ano passado, mas o vendedor me contou que só este ano ele chegou as prateleiras do país. Achei que ia gostar, ele disse que era um dos mais vendidos e que as pessoas falavam muito bem sobre ele. - comentei explicando, encarando os olhos verdes de Anna Mel e o sorriso largo que estampava seu rosto.
- Eu realmente amei, querido! O leirei, eu prometo. - agradeceu me dando um beijo na ponta do nariz. É claro que ouvi um 'eca' do pessoal, mas não liguei. Sorri para ela em troca.
- E o que achou do outro?
- Receitas Extraordinárias? Vejamos, ele tem um Cupcake na capa, fala sobre novas comidas... Além de perfeito ele me deixa com fome. Mas eu gostei muito, e assim posso...
- Continuar seus experimentos e perseguir os cachorros e gatos das vizinhas e lhes forçar a prová-los.
- Hey, eu não os forço! Não sei falar Cachorês, então eu abro a boca deles e os faço comer. - corrigiu Anna.
- E como sabe se eles estão gostando? - perguntei.
- Eles abanam a calda e tentam lamber a panela. - respondeu dando de ombros. Ri.
- Bem, se você pode ler Harry Potter e suas 700 e tantas páginas, vai muito bem poder ler esses livros sem problemas. Assim você vai ficar mais tempo calada. - comentou Mike, baixinho.
- Eu ouvi isso eu nanico!
- Nanico? Sou maior que você sua pirralha!
- Não é não!
- É claro que sou!
- Deixa de ser idiota, você não consegue nem arrumar o quarto sozinho! Até com uma farpinha no dedo você chora. - retrucou Anna.
- É mentira!
- Mentira? Quem foi que se vestiu de Abelha no dia das bruxas?
- Foi uma aposta!
- Você tinha doze anos, crianças dessa idade não apostam!
- Então você está realmente desatualizada, querida irmã. Ou esqueceu que passou o dia seguinte inteiro no banheiro por comer demais os doces?
- Cala a boca!
- Uma pinóia! - retrucou irritado. Os dois tinham as bochechas vermelhas e se encaravam tentando intimidar um ao outro.
- Parem de brigar os dois, vão ofender minha beleza. - reclamou Ashley quando Anna ia dizer alguma ofensa ao irmão e ele iria retribuir na mesma moeda. - Ei, será que ainda tem bolo?
- E pergunta a mim? - questionou Anna Mel.
- É claro, você que é a doida por comida entre nós.
- Não sou louca por comida, apenas aprecio o que é bom. Aliás, não tem como acabar assim, tão rápido, eu fiz dois bolos. - rebateu a morena. É verdade, a comida, o bolo, tudo estava muito bom. Bom não, maravilhoso! Claro, foi Anna Mel que fez, não esperaria menos que isso.
- Não se esqueça do outro. - cutucou Ashley.
- Que outro? - perguntei confuso.
- O primeiro bolo que ela fez. Depois de pronto, ela não resistiu nem por dois minutos e quando percebemos ela estava toda melada de glacê. Sabe, como a tia Pattie está agora. - com um aceno de cabeça, olhamos para um canto mais afastado da sala. Ri quando vi minha mãe toda empolgada comendo o bolo e se melando toda com o glacê. Me lembrou muito a Anna.
- Tá tudo bem aí, tia? Consegue respirar? - perguntou a minha louca por comida em meio a risadas. Minha mãe mexeu cabeça afirmando sem parar de comer. - E os Cupcakes e salgadinhos e coxinhas também estão bons? - mamãe confirmou novamente. Foi impossível não rir.
[...]
POV ANNA
- Srtª Montês, é a quinta vez que peço para que acabe com essa conversa paralela! - reclamou o professor quando me virei para falar com Ashley. Me posicionei da maneira correta na cadeira, e o professor de matemática voltou a explicar o assunto.
- Viu só? Eu recomendei que não conversasse. - advertiu Justin.
- Mas essa aula é chata.

- Mas não é por isso que vai levar ma suspensão, não é? - continuou. - Eu me preocupo com você, anjo.  Não quero que seja suspensa e que sua mãe brigue... Oh, céus, me desculpe eu esqueci. 
- Tudo bem, não importa. - suspirei. Tava tão na cara assim que não gostava de mencionar o nome da minha mãe?
- Anna, você pode me responder essa questão já que está sabendo de tudo a ponto de conversar o tempo inteiro?
- Não estou a fim de responder, obrigada. Estou com preguiça. - a turma riu, e para minha surpresa, Justin também.
[...]
- Mas que ousadia! - reclamei baixo atrás da parede. Apertei firme o Doritos e o Ruffles Cebola e Salça, atrás da parede. Era hora do intervalo, e não posso nem me distrair e comprar comida que isso acontece. Eu queria bater no Damon agora, porém não na frente de Ashley que o olhava de braços cruzados.
- O que você quer, Damon? Eu estou procurando minha Abelha, faz muito tempo que ela foi comprar comida e não voltou... Aliás, porque estou dando satisfações a você? Agora solta o meu braço! - falou ela, mas ele não o fez. A puxou para si pelos dois braços quase colando os dois corpos. Pude notar ela vacilar. Quero chutar alguém!
- Será que dá pra esquecer a Anna um pouco? Ela está bem, e você sabe disso. Me diga o que houve, Ashley! - exigiu ele, os olhos pregados nos dela.
- Não houve nada, agora me solte!
- Não minha pra mim. Você tem ideia do quanto dói ver a pessoa com quem mais me importo no mundo ser completamente indiferente comigo?
- É mentira!
- Mentira? Eu quis te proteger, Ashley! Esses idiotas, todos eles não sabiam o tesouro que tinham, e aquele imbecil do Will.... Agr, eu tenho vontade de socar a cara daquele infeliz toda vez que te olha, e principalmente quando você flerta de volta. Eles não sabem o que é o amor e estavam te usando! Não consegue ver isso? - a trouxe ainda mais para perto, não desgrudando os olhares um minuto sequer.
- Ah, você está aí! Até que enfim, fiquei preocupado você demorou. - ouvi a voz de Justin ao longe, sorrindo aliviado. O puxei para perto e tapei sua boca, sem tirar os olhos da minha loira. - Que foi que eu fiz? - perguntou abafado pela minha mão.
- Promete falar muito baixo? - questionei no mesmo volume, e ele concordou com os termos. Tire a mão de sua boca. - Damon e Ashley. - expliquei.
- Ah, tá. - exclamou baixo entendendo e ficou olhando ali, junto comigo.
- ...E você por acaso sabe o que é amor? - rebateu a loira. Ele sorriu - de um jeito que nunca fez comigo - e a mão que segurava um dos braços, agora foi até seu rosto e fez um pequeno carinho em sua bochecha.
- Descobri o amor verdadeiro quando conheci você. E só pude perceber agora, o que deveria ter notado há muito tempo.
- E o que é que você deveria ter notado há muito tempo? - perguntou em quase um sussurro.
- Que eu amo você como nunca amei ninguém. Nem mesmo como amei Anna. Ela é uma garota maravilhosa, a melhor amiga de todo o mundo. Mas é você quem eu amo.
- Ama? - ela sorriu boba. Vamos parar com essa sacanagem em pleno corredor, obrigada?
- Uhum. Então não faça isso comigo de novo, não me ignore. Não faz ideia do quando isso doeu. - continuou sorrindo e acariciando a bochecha dela. Já disse pra parar com essa sacanagem!
- Eu também amo você, Damon. Tipo, mais do que amo meus esmaltes e cor de rosa, afinal, você sabe o quanto eu fico fabulosa com eles. - respondeu. Ele apenas riu, mirando agora a boca dela. Quando Ashley pôs as mãos na cintura dele e seus rostos estavam próximos demais, saí de trás da parede - mesmo com Justin tentando me impedir - e gritei o mais alto que pude.
- Oi galera! - gritei. Que vontade de chutar o traseiro do Damon. A minha loira não! - Pera, o que estão fazendo aí? - me fiz de inocente.
- Nada, estava procurando você e o Damon estava me ajudando. - mentiu se afastando dele. Não gosto dessas suas bochechas vermelhas, mocinha, pare já com isso!
- Parecia que iam se beijar. - continuei chegando mais perto. Damon recuou notando que eu tinha visto toda a cena. Tenha medo mesmo pelo seu traseiro, tenha mesmo.
- Tinha alguma coisa no meu olho e ele estava assoprando.
- E a posição do seu olho mudou? Boca no lugar do olho e olho no lugar da boca? - continuei.
- Eu vou ali, eu já volto. - foi tudo que Damon disse antes de sair quase que correndo. Ashley fez o mesmo na direção oposta à dele. E quando tentei perseguir o Damon e chutar o traseiro dele, Justin segurou meu braço e tudo que fiz foi encará-lo.
- Eu preciso contar uma coisa.
- Mas agora? Não pode ser depois que eu chutar o traseiro do Damon? - perguntei. Ele riu antes de voltar a expressão séria.
- Eu menti, Anna.
- Como assim, sobre o que mentiu? - falei confusa. Ele respirou fundo antes de tornar a olhar para mim.
- Eu não tinha cara de dizer aquilo, não tive coragem.
- Coragem de quê?

- Eu consegui uma gravadora, Anna. E eu vou embora definitivamente esse final de semana. - vi uma lágrima molhar seu rosto enquanto falava. Antes de qualquer coisa o abracei mais forte do que minhas forças permitiam. Isso não pode estar acontecendo.

Notas Finais: 
Espero que tenham gostado desse. Sei que é muito grande - ou não - mas é bastante crucial para os próximos, e eu prometo fazer uma surpresa pra vocês, hehe. Ah, só para não esquecerem, essa história se passa no ano de 2010, e o livro A Bailarina Fantasma foi lançado em 2009, blz? E os outros livros(Receitas Extraordinárias; Unha do meu Coração e blábláblá), foram inventados por mim e os nomes de seus 'autores' também, caso pensem que ficou estranho. Até o próximo e beeeeeeijocas minhas amoras com doritos :D

Bolo1: http://www.aojeal.org.br/gestor/img_noticias/26.jpg
Bolo2: http://mdemulher.abril.com.br/imagem/culinaria/galeria/receita-bolo-chocolate-com-morango.jpg 
Bolo3: (aquele que a Anna não resistiu e comeu) http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2007/11/31_156-bolo.jpg
Cupcakes da festa: http://www.confeitariadaluana.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/07/datora.jpg
Livro A Bailarina Fantasma: http://4.bp.blogspot.com/-u5No-9-2Y_A/UbjvqgV3f4I/AAAAAAAAE5E/Q-3hTXgHhZI/s640/mel.jpg

5 de set de 2013

My Angel - Capítulo 14 - Encontro com Luca

10 de Março, Domingo, New York City, 9:30am
- Vamos Hanna, desça depressa! - gritava Justin em animação do andar de baixo. Atendi a seu pedido, o realizando lentamente. A segundos atrás encontrava-me repousando, sonhando com o dia em que finalmente estaria livre de tanto ódio e dor. Um merecido descanso, depois de uma longa noite de pesadelos com as pessoas que mais odiava e que causaram um terrível mal a minha vida. Porém, ao chegar finalmente na cozinha, o vi de costas para mim. Parecia bastante concentrado no que fazia ao forno, mas minhas atenções estavam voltadas para outro lugar. Não era a primeira vez na vida que vi um homem de cueca, pessoas bêbadas fazem loucuras, independente do lugar em que se encontram. Justin usava apenas uma cueca box azul marinho, deixando evidente seu belo traseiro e suas costas largas e másculas. Era de fato uma maravilhosa visão. Será que dá pra parar de ficar olhando pro traseiro dele? Sua louca, se controle!
- Você gosta de panquecas, não é? Também fiz ovos com bacon e... Terra para Hanna, responda. Câmbio. - Despertei com sua risada e lhe encarei os olhos. Notando o quão boba encarava sua parte de trás, pus a mão no rosto e fiquei de costas para ele. Que vergonha! Ele viu.
- Será que dá pra você vestir uma roupa? Não pode ficar andando pelado pela casa. - reclamei. Olha de novo, gosto de ver o tamanho da circunferência... Cala a Boca!
- Não estou pelado, Hanna. E para ser bem sincero, tenho certeza que você gostou, afinal, não parou de olhar para o meu traseiro. - admitiu entre risadas. E que traseiro! Chega!
- Você vai por uma calça ou não? - insisti nervosa. Hanna Evans nunca fica nervosa.
- Tudo bem, você venceu. - respondeu vencido, enquanto esmurrava-me internamente por admirar demais seu corpo. - Pronto, pode virar. - ele ainda estava sem camisa. Mas estava tranquila por ele usar uma longa calça de moletom cinza, que eu não fazia questão de saber de onde vinha.
- Ufa. Nunca mais faça isso novamente.
- Porque, tem medo de se apaixonar? - brincou.
- Na verdade, é só medo de morrer de susto. - entrei na brincadeira. Alguns homens poderiam se ofender facilmente com meu comentário. Mas Justin não parecia ser qualquer um. E comprovando isso, ele riu segurando inconsciente sua barriga definida. Isso que ouvi foi um suspiro? Hanna Marie Evans, você está suspirando, foi isso mesmo que vi? Não enche.
- Você é doce como um limão. - piscou.
- Obrigada.
- Mas eu amo limões. - mordeu os lábios tentando ser sexy.
- Bobo.
- Sabe, lembra que falei que iríamos visitar meus pais hoje? Está pronta para ir? Meus irmãos chegaram ontem de viagem, e o mesmo com meus amigos. Estou ansioso para que os conheça. Irá adorá-los, são pessoas maravilhosas. - continuou sorrindo. Não gostei da ideia, ela era realmente detestável. Seria mais um método de tortura, ver outras pessoas felizes, um ambiente onde todos se amam. Infelizmente, não sabia como recusar o convite.
- O que quer que seja que você preparou, lá na panela, vai queimar se não der uma olhadinha. - apontei para o fogo, mudando de assunto. 
- Ai caramba!
[...]
- Não precisa ficar nervosa, eles são maravilhosos. - comentou Justin, cortando o incômodo silêncio que instalou-se entre nós desde que saímos de casa.
- Não estou nervosa. - menti. Era uma péssima ideia, realmente péssima.
- Já falei que você mente muitíssimo mal? - perguntou desviando por meros segundos suas atenções para mim.
- Isso não é verdade.
- Oh, jura?
- Claro. Por exemplo: Você está realmente encantador com essa roupa. - tentei mentirosa. Ele, como sempre, deixou uma gargalhada escapar.
- Muito obrigada pela parte que me toca. - fingiu-se ofendido. Aquilo me fez rir.
- Por nada.
- Mas continua mentindo mal.
- Doido!
- Eu sei, sou seu doido predileto. Sabe, meu traseiro e eu conversamos e, achamos completamente justo que possa admirá-lo amanhã antes da escola. E depois também, se quiser, é claro.
- Bobo. - os pneus rodaram um pouco mais pela cidade, e logo estávamos parados em frente a uma gigantesca e imponente mansão. Minhas entranhas pareciam se comprimir a cada vez que olhava para a casa nada humilde dos pais de Justin. Era realmente desconfortável para mim, já que o mais próximo que cheguei de uma parecida era através de fotos em revistas. Apesar de magnífica, não me sentia parte daquele lugar. Jamais desejei viver em uma casa como essa, e isso nunca aconteceria, de fato. Me imaginei morando em um lugar como esses, enquanto um grande portão de ferro se abria para nos dar passagem. Não gostei do que meus pensamentos mostraram, e senti uma espécie de grande incômodo ao pensar que passaria, provavelmente o dia ali. Minha simplicidade gritava, afirmando que, aquele, jamais seria meu lar. Em meus sonhos, via uma pequena casinha branca de cerca viva a volta, em uma respeitável vizinhança; como em filmes. E aquele sonho, da casinha simples e modesta era o suficiente para me fazer feliz, e com certeza o meu maior sonho.
- Ah, a propósito, você está realmente linda. - minhas bochechas queimaram ao ouvir as palavras dele. Parados, agora, em frente a grande escadaria que levava até a porta de entrada, tentava em vão conter as mãos suadas e trêmulas enquanto ele, já fora do carro, abria a porta para mim como um verdadeiro cavalheiro. Fiz uma careta ao perceber alguns homens cuidando da grama. Outro, desceu parado a porta no alto das escadas, tinha uma postura reta, e a cada vez que estava mais próxima dele, percebia que era o mordomo.
- Olá, Alfredo. Como está? - cumprimentou Justin.
- Maravilhosamente bem, Senhor.
- Quantas vezes vou precisar pedir pra não me chamar desse jeito? Só vai poder dizer que sou "Senhor" quanto meu traseiro deixar de ser esse lindo pêssego que é, e do qual tanto me orgulho. - piscou deixando as chaves do carro na mão do homem; ele, nada fez além de revirar os olhos e rir do modo que sua etiqueta exigia.
- O Senhor...
- Alfredo!
- Você, - corrigiu. - é realmente muitíssimo engraçado.
- Bem, de qualquer modo obrigada.
- E quem é a senhorita? Se não for muita ousadia é claro.
- Ah, essa aqui é Hanna Evans, minha namo... Amiga. Ela é minha amiga. - corrigiu-se rapidamente. Porque ninguém me escuta quando digo que ele é retardado?
- É um enorme prazer conhecê-la, Hanna Evans.
- Apenas Hanna. Também é um prazer conhecê-lo.
- Alfredo.
- Mamãe está em casa?
- Está a sua espera, na verdade. - respondeu educado, abrindo para nós a belíssima porta.
[...]
- Você é daqui? - perguntou pela primeira vez uma garota ao longe. Seus cabelos longos e loiros, olhos brilhantes e azuis, suas curvas harmoniosas deixavam-me enjoada em relação a minha aparência. As outras, duas agradáveis garotas mantinham uma conversa equilibrada e divertida, contando-me cada detalhe do que mais gostavam, e um pouco de suas vidas. De assuntos interrompidos, olhei-a; o mesmo sorriso ensaiado, e mesmo olhar clínico.
- Sim.
- E faz muito tempo que você conhece ele?
- Justin? Não muito.
- Hum. - murmurrou. - Ele fala muito de você.
- Espero que esteja falando bem.
- Está.
- Isso é bom.
- E há quanto tempo estão juntos?
- Desculpe? - questinoei curiosa.
- Ouvi dizer que estão dividindo a mesma casa.
- Não estamos namorando, se é o que quer dizer.
- Só estava curiosa. O que comentam, é que ele sempre tem o que quer; isso também inclui garotas.
- Acho que já chega de veneno por hoje, Atilla. - retrucou Caith, a primeira namorada de Justin. Ou ao menos, é o que ele diz. 
- Olá, Caith. - respondeu, e em sua voz predominava a raiva contida e o nojo. Era a típica garota de filmes: bonita, popular, rica e mimada. Odiada por várias, desejada por outros. Querendo sempre aquele rapaz que é maravilhoso em todos os sentidos. Talvez fosse por isso, que ela se tornava ainda mais nojenta e volúvel para mim.
- Soube que seus pais estão indo a falência, é verdade? - perguntou ela, Caith, cruzando os braços.
- Não se meta no que não é da sua conta. - reclamou ela, enraivecida. Antes que qualquer reação precipitada, de qualquer uma delas, ocorresse, Justin apareceu ao nosso lado. Com ele, estavam as duas crianças lindas que conheci a algumas horas.
- Olá, meninas, vi que estão conversando. Espero que estejam se divertindo. - exclamou ele, sorridente. A menininha no colo dele, fez careta ao perceber a presença de Atilla.
- Estamos sim. É uma festa maravilhosa, e a comida é ótima. - afirmou Debby, - simplesmente Debby - uma morena de olhos castanhos claros, alta e simpática. Também, ex-namorada.
- Que legal. E precisam de alguma coisa? Posso ir buscar mais comida para vocês.
- É muita gentileza, obrigada. - agradeceu Caith, sorrindo para ele. Justin deixou a pequena no chão; ela sorriu e acenou para mim, em seguida, correndo até o irmãozinho que brincava, até agora, sozinho.
- Eu o acompanho, se quiser. - ofereceu-se Atilla. Ele sorriu, e juntos caminharam para dentro da casa. Senti vontade de esbofeteá-la, mas não o fiz.
- Não ouça o que ela diz, Justin não é assim.
- As vezes acho que ele não percebe que essa Oxigenada não é flor que se cheire. - comentou Debby.
- É claro que ele sabe que ela está interessada nele. Como pode não perceber? - retruquei. Elas não falaram nada, percebi que foi a deixa para continuar. - Com certeza deve se aproveitar disso e...
- Que parte do não acredite no que ela diz, você não entendeu? - interrompeu Caith. - Ele pode ser doido, mas, acredite, ele é o tipo de cara que não sai com qualquer uma. Entende? - fiz que não com a cabeça. Afinal, qual é o cara que não sai com qualquer uma? - Ele é do tipo romântico, para ser mais específica.
- Ah. - foi tudo que falei. Não adiantaria insistir em um assunto ao qual elas jamais entenderiam. Eram exatamente como Sara, Louise e Abigail: acreditavam no verdadeiro amor, e coisas parecidas. Entre algumas conversas, o dia passou e a tarde chegou mais rápido que do que pensei. E para ser sincera, ainda não me sentia confortável em estar naquela casa.
- Oi de novo.
- Oi, Justin.
- Vejo que gostou do jardim. Eu também gosto daqui, é tranquilo dá pra pensar e ver as estrelas. - seu comentário, não me fez falar. Ele percebeu que poderia continuar. - O que achou deles?
- Especifique.
- Meus pais você já conheceu. Estou me referindo aos meus amigos, entende? Debby, excelente em jogos de lógica; Caith, a estilista; Ryan, Chaz, Chris, os mais doidos do que eu; Jazzy e Jaxon, meus anjinhos  e Atilla a... - parou para pensar em uma possível descrição dela. - Bem, não sei como descrevê-la. - revelou, ainda pensativo. Pode chamá-la de vadia, respondi em pensamentos arrancando algumas folhas do chão. - Bem, acho que é melhor dizer, Atilla a garota das unhas.
- Garotas das unhas?
- Ela tem unhas legais, mas não muito legais, são só legais. - fiz esforço para fingir estar interessada no assunto, mas é claro que não deu muito certo.
- Ela gosta de você.
- Ela acha que gosta.
- E você gosta dela?
- Não. Atilla é uma boa pessoa, mas, é muito superficial. Preciso de alguém que me ame e entenda, que me ame do jeito que sou, e isso inclui meus defeitos. - explicou.
- Defeitos? Você não tem defeitos.
- É claro que tenho.
- Não, você não tem. Justin, você ajudou e abrigou em sua casa uma pessoa que mal conhecia, lhe deu comida e teto, e claro, atenção...
- Mas você não é qualquer um. É a Hanna Banana. - sua afirmação me fez rir. - É sério, acredite em mim quando digo que tenho defeitos.
- Certo, então diga um. - tentei não rir. Sentado ao meu lado na grama, ele fingiu pensar e escolher bem o defeito para me contar. Um completo bobo.
- Eu xingo. - disse por fim.
- Jura?
- Uhum, não ria de mim, é verdade. Eu xingo, falo muitos palavrões; tenho muitos deles na minha cabeça, todo o tempo. - ri. - É verdade!
- Tudo bem, então fale um para mim.
- Não posso repetir, é feio. - explicou e não pude segurar uma risada com sua declaração. Ele não é um fofo? Não, não é!
- Ainda mantenho o que disse antes. - comentei entre algumas risadas.
- Acredite quando digo que sou cheio de defeitos. - disse com um suspiro. Pegou minha mão que estava sobre uma de minhas pernas, e deixou ali um carinho. Gostei do gesto. Ficou louca?! - Você vai ver.
- Porque estão aqui? Há uma festa lá dentro, sabia?
- Oi pra você também, Atilla. - retrucou risonho. A garota sentou ao seu lado, e apoiou-se nele a ponto de abracá-lo de lado. E outra vez, senti que deveria socar o rosto da loira até deixá-lo deformado o suficiente para não ser atraente de maneira nenhuma. Mas por mais uma vez, eu não o fiz.
- Você deveria estar lá dentro, estão apostando sabia? Assim poderia apostar um beijo seu. - mesmo não os encarando, sabia que ela tinha mordido os lábios. Era tão nojento. Como alguém poderia se oferecer desse jeito? Atilla, era uma das muitas pessoas dignas de pena,... E nojo também.
- Não sou tão beijável assim. - senti seu desconforto. Porém não era igual ao meu de estar perto deles nesse momento.
- Duvido muito. Mas já que diz, por que não me deixar provar, e saber se é mesmo não beijável como diz. - continuou oferecendo-se a ele como um pedaço de carne. Impossibilitada de continuar perto deles, levantei em um único impulso e tentei passar despercebida pelos dois. Ninguém merece!
[...]
- Não a beijei se foi isso que pensou que fizemos. - começou ele, após longos minutos em silêncio. Não queria estar com raiva dele, afinal, não cabia a mim escolher quem ele deveria beijar, mas parecia impossível esconder esse terrível incômodo.  Está gostando dele. Não, eu não estou.
- Não precisa dar satisfações da sua vida a mim. E também não preciso ter um relatório completo da sua Distribuição de Saliva. - rebati, fazendo esforço para esconder minha frustração. Está gostando dele. Cala a boca! Sentei melhor ao banco da praça - lugar em que decidimos parar para observar um pouco da linda noite que se fazia -, o vento batendo em meus cabelos. Está gostando dele, lálá lálálá. Cala a boca!
- Só estou contando porque notei seu incômodo.
- Na verdade, não gostei de ter ficado sozinha lá, enquanto o casal se pegava.
- Primeiro: Não somos um casal. Segundo: Não estávamos nos pegando. - explicou. - Terceiro: Você está se mordendo de ciúmes. - sabendo que não continuaria sério, ele deu uma gargalhada gostosa, como se tivesse acabado de ganhar o presente que tanto quis. Fiquei irritada, e vermelha de vergonha. Como assim com vergonha? Ouvi direito? É o fim pra mim, Hanna Evans nunca sente vergonha. O que está fazendo aqui, intrusa? Saia imediatamente!
- Não estou com ciúmes, porque ficaria com ciúmes de você? - me defendi. Não estou com ciúmes, não estou com ciúmes, não estou com ciúmes!
- Está sim, ô! Veja como está uma graça com as bochechas vermelhinhas. - continuou rindo, feliz da vida.
- Você é muito bobo, só porque não quis ficar perto, não significa que esteja sentindo... Sentindo isso sobre você. Eu não amo ninguém!
- Você finge que é verdade que eu finjo que acredito. - piscou sorrindo. Irritada levantei do banquinho e andei até o outro lado da rua, onde avistei um senhor de idade com um carinho de sorvete. Ainda sentia ecoar em minha mente, as risadas espontâneas de Justin quando percebi uma movimentação estranha. Pensei em voltar e tornar a sentar perto do garoto bobo que conheci, porém, reconheci o sorriso cruel e os olhos que custaram a sair de meus pesadelos. E foi assim, que dobrei a rua mais próxima tentando despistá-los, o que claro, foi uma tentativa falha. Luca foi mais rápido do que minhas perninhas curtas e agarrou meu braço tão firme que senti meus ossos doerem, e virou meu corpo de frente para o seu. Era difícil manter a pose de garota durona quando se tem alguém lhe apertando tanto assim.
- Pensou que ia fujir, boneca? - riu. - Pensou errado!
- Me largue!
- Ainda quero meu dinheiro, Hanna. Agora!
- Já disse que não tenho, agora me largue.
- Você ouviu a garota, solte-a.
- E você vai fazer o que, frangote? Essa vadia aqui vai pagar...  - debochou Luca, e logo ele teve sua resposta. Justin lhe deu um soco certeiro no rosto e a força foi tanta, que o imbecil largou meu braço e caiu no chão. Rápido, Luca ergueu-se do chão e retribuiu o soco. Meu coração bateu depressa quando vi Justin cambalear, mas ele logo estava pronto para mais uma. Era bom de briga, e observei Luca apanhar feio. Fiquei horrorisada o suficiente para ficar parada de onde estava. De olhos arregalados, Jus deixou mais alguns chutes e murros, em Luca deitado no chão. Não consegui reconhecer o garoto que conversava a algumas horas atrás. Estava totalmente transtornado e aquilo me assustou muito. Pensei ter visto Iago ali e reviver aquela sensação era extremamente desagradável.
- Nunca mais a chame de vadia. Nunca! - gritava ele para o crápula ao chão.
- Ela me deve dois mil dólares só em juros. Quero o meu dinheiro! - urrou Luca do jeito que podia. Depois de mais alguns chutes em sua barriga, Justin abriu sua carteira e jogou nele algumas - muitas - notas verdes. Puxou-o pelo cabelo, o deixando bem próximo de seu rosto. Justin estava fora de si.
- Recebeu seu pagamento, agora nunca mais chegue perto dela. Nunca. - dito isto, o jogou com violência no chão e me guiou até o carro.
[...]
Ainda 10 de Março, Domingo, New York City, 23:25pm
- Posso entrar? - tremi ao ouvir sua voz novamente. No silêncio do quarto, respirei lentamente permitindo a entrada dele. Ao fechar da porta, olhei para o chão, sentada na cama macia.
- Você está bem? - perguntou se jeito. Confirmei com a cabeça sem encará-lo. Lentamente, ele sentou a beira da cama ao meu lado, e assim, passamos alguns segundos em silêncio. Recuei um pouco. - Queria pedir desculpas pelo que viu hoje, eu juro que não sou assim, mas... - suspirou. - Não me controlei. Não suportei ouvir alguém chamar você de um nome tão horrível, você não merece. E quando dei por mim, já tinha metido um murro na cara dele. - declarou. Continuei calada. - Não está com medo de mim, está?
- Eu estava. - respondi baixo, e pela primeira vez desde que saímos daquela rua escura. Juntei minhas próprias mãos. Ele agiu igual a Iago. E foi terrível.
- Você não precisa ter medo de mim, jamais faria algo para magoar você. - disse gentil. Criando coragem, levantei lentamente a cabeça e resolvi encará-lo. Vi seu olho inchado, a boca sangrando. Doeu em mim também. Mas que merda de sentimentalismo é esse? Pare com isso Hanna. Não enche!
- Não devia ter feito aquilo. Está machucado, e era tudo que não desejava. Ele tem influências por aqui, Justin. Não quero que o machuque.
- Não vão machucar. E garanto que ele nunca mais irá encostar em você. Não irei permitir.
- Obrigada. - foi tudo que disse antes de sentar em seu colo e dar-lhe um abraço apertado. Percebi enfim, que me sentia muito mais segura do que imaginava em seus braços.

Notas Finais
Bom, custei pra terminar esse cap. Ufa! haha Demorei mas cheguei, e espero que tenham gostado do cap. Muitos e muitos beijinhos e até o próximo :D
Roupa Hanna(casa dos pais)  http://1.bp.blogspot.com/-k566wM2vYXg/Tiykq6omMMI/AAAAAAAAAMo/bkIqDEEjIXc/s1600/aria-long-floral-skirt-military-blazer-pretty-little-liars.jpg
Roupa Justin(casa dos pais)  http://capricho.abril.com.br/blogs/top5/files/2011/10/justin-bieber-5.jpg

1 de set de 2013

My Dear Nerd - What If - Capítulo 46 - É Bom Estar de Volta

 POV ANNA
Um Dia Depois...
- Tudo bem, eu entendo, mas tem certeza de que ouviu certo? - tentou Justin, notando meu nervosismo do outro lado da linha.
- Absoluta! Ela gosta dele, e estou pirando!
- Fique calma...
- Como assim, ficar calma? Estamos falando da minha loira! Minha! Você não sabe a vontade que tive de chutar o traseiro do Damon quando escutei aquilo. E pensando que Will era um Bobo Boboca Babuíno Balbuciando em Bando, quando na verdade, era o Damon desde sempre. Ai que vontade de chutar o traseiro dele. - reclamei. Era impressão minha, ou ele estava rindo? Tipo, oi? Esse é um assunto muito sério, ok? Obrigada.
- Bobo Boboca Babuíno, o que? - perguntou enquanto ria.
- Bobo Boboca Babuíno Balbuciando em Bando.
- O que?
- Justin!
- Tudo bem, tudo bem, estava brincando. - riu mais uma vez. - Agora, falando sério, você deveria ficar feliz. Afinal, apesar de não gostar do Damon, ele é o único ao qual merece a confiança e o coração dela.
- Quer que eu chute o seu traseiro?
- Ele é um canalha, é. - corrigiu rapidamente. Minha barriga roncou, mas tinha um assunto bem mais importante a tratar. - Você está com fome?
- Escutou isso?
- Uhum. - riu.
- Sim, estou morta de fome. Aliás, eu fui assaltada por aquele carinha da loja de doces.
- O que? Meu Deus, você está bem?
- Calma, não precisa gritar e nem ficar preocupado. Na verdade, ele só levou um dólar. Conversamos muito. Ele tentou, gentilmente, roubar meu Doritos, mas como abracei o pacote bem forte e fiz uma carinha triste ele decidiu levar um pirulito e um dólar do troco.
- Você estava voltando da loja de doces?
- Uhum. Perguntou sobre você, e contei que viajou, mas não me aprofundei no assunto. Por falar nisso, como vão as coisas por ai?
- Um pouco complicadas para ser sincero. Algumas delas, sabe, as gravadoras, não estão me aceitando, acham que sou jovem demais. - explicou aparentemente triste. Por um momento, senti um breve alívio; depois uma culpa descomunal me alcançou por estar feliz pelo fracasso dele. Afinal, que tipo de pessoa eu sou? Deveria estar triste por ele.
- Que pena. - falei.
- É, mas ainda tenho esperanças de que consiga alguma coisa. Ainda tenho dias, não vou desistir.
- Sei que não vai. Tenho orgulho da sua força de vontade.
- Obrigada. Aliás, falamos tanto de Ashley e Damon que não pude saber como está. Como vai você? E Mike? Sua mãe está bem, tentou falar com você?
- Bem, Mike continua o mesmo irmão irritante de sempre, sabe; roubando minha comida, o que é um crime hediondo!... Falando alto, pegando minhas canetinhas coloridas para riscar o caderno. O intrometido de sempre. Já minha mãe, tentou novamente ligar pra mim, mas ao que indica, pensei que só quisesse ouvir minha voz, porque fui a única que falou durante o telefonema.
- Não sei o que dizer.
- Tudo bem. Também não sei o que pensar sobre isso. Ainda é muito confuso.
- Mike comentou alguma coisa sobre ela?
- Não. Ele anda esquisito, sabe? Acho que tem algo haver com uma garota. Anda mais bobo do que o comum. Em resumo, está mais retardado do que o normal. Eu só preciso saber quem é a garota e descobrir se ela é o ideal pra ele.
- Ou caso contrário, terá um traseiro chutado. - completou minha frase risonho.
- Isso também, mas ele já é "grandinho" o suficiente pra se virar. Aliás, como vai a Tia?
- Mamãe está muito bem. Nós sentimos falta de casa. Sinto saudades de você e seu jeito comilão de ser.
- Eu também.
- Mas vou voltar logo, trarei muitas coisas legais. Eu também achei uma espécie de Kit de adesivos para unhas pra Ashley. Na verdade quem viu foi minha mãe, eu estava olhando a sua comida. - ri de seu comentário.
- A loira vai ficar bem feliz, mas não deveria gastar tanto conosco, Justin.
- Não é nada. - riu. - Mas agora eu tenho que ir. Meu dia será cheio amanhã, preciso estar bem disposto.
- Nos veremos em breve?
- Claro anjo. Amo você.
- Também. - respondi em troca e assim a ligação teve seu fim. Suspirei arrumando o pijama, esperando a loira trazer a caixa de filmes até a sala.
- Oi oi pessoinha da minha vida que me ama enlouquecidamente.
- Oi Ash.
- Quem era no telefone, Abelha?
- Justin.
- E ele perguntou pela minha beleza linda? Disse que sente falta de me admirar? - perguntou novamente.
- Perguntou sim. - falei rindo, vendo ela assentir satisfeita com a cabeça. Tirando a loucura ela é super normal. Só que não. E bem, foi entre minhas risadas e os protestos dela que escolhemos o filme e pegamos toda a comida possível - eu peguei toda comida possível - e sentamos para assistir. As luzes da sala estavam apagadas e o frio gostoso da noite ajudava bastante. Não, não era Querida Querida Unha, caso queiram saber o que estamos assistindo. Ela bem que insistiu para que ele fosse o escolhido, mas como não queria nada assustador e nem romântico, optamos por um filme bem legal. Harry Potter e o Enigma do Príncipe.
- Abelha, cê atende a porta?
- To com preguiça. - retruquei levando uma colher cheia de sorvete Napolitano e calda de morango, com M&M e tudo a que tinha direito. Que foi? Não me olhem estranho. Mas aquela carinha dela tava dando medo é sério. - Tudo bem, você venceu. - reclamei engolindo o sorvete. - QUEM ME ATORMENTA? - berrei para a porta.
- O bonitão. Gostoso, tudo de bom. - brincou.
- Entra. - respondi voltando a comer o meu sorvete. Damon sentou ao meu lado depois de entrar e fechar a porta. Ashley se aprumou no sofá, - ela estava com a cabeça relaxada sobre minhas pernas e deitada no sofá - e decidiu não tirar os olhos da televisão. Ao meu lado, meu amigo - de quem um dia irei chutar o traseiro - olhava para ela de vez em quando, tornando o clima mais tenso que o normal. 
- Harry Potter e o que? - perguntou ele.
- Enigma do Príncipe. - respondi.
- Como vai, Ashley? - tentou Damon. Ela não respondeu. Parecia uma criança mimada, os olhinhos na tela e mordendo os lábios compulsivamente.
- Pensei que fosse ficar com a outra. - falou depois de alguns minutos. Pus mais uma colher cheia de sorvete na boca, olhando de rabo de olho para os dois.
- Bonnie é muito legal, mas não faz o meu tipo.
- Não falei nome de piranhas na minha casa! - ela reclamou, mas não olhou pra ele. Levei outra colher a boca, a mantendo cheia o bastante para não falar nada. Estava no meio dos dois e aquilo não era legal. Mas fingi estar concentrada no filme, mesmo que meio constrangida por estar usando um pijama com estampa de elefantes e boné. O silêncio reinou por um tempo, mas todos estavam nervosos. Incluindo eu. Damon se remexeu inquieto e vi que o sorvete tinha acabado. Mas já?
- Poxa, a comida acabou. Vou pegar mais na cozinha, volto logo. - avisei sem retirar os olhos do pote. Ué, estava cheio ainda agora. Será que alguém comeu sem eu ter visto? Mas como isso poderia ser possível, eu estava abraçada a ele o tempo inteiro e...
- Hey, acorda pra vida garota. - uma mão atrevida ergueu meu rosto para cima e percebi que Damon estava a minha frente. Notei também que já estava na cozinha, e que tinha parado no meio dela pra falar comigo mesma sobre minha situação do pote de sorvete.
- Oi, desculpa estava pensando.
- Em comida, eu sei. - riu. Dei a volta e fui até a geladeira. Qual sorvete agora? Baunilha ou Chocolate? - Mas me fala, o que houve com ela?
- Ela quem? - perguntei. Baunilha ou Chocolate eis a questão.
- Ahsley, o que houve com ela? Está tão estranha, eu fiz algo errado? É TPM? - não é só você mesmo. Respondi em pensamentos, me imaginando chutando o traseiro de Damon. Gostei do que vi.
- Não sei. - menti. Continuei fazendo Uni duni tê para escolher o sabor do sorvete.
- Eu soube que ela terminou com aquele carinha lá, o Will. Fiquei feliz quando soube, não gostava dele. - admitiu. Relaxe, não pode chutar o traseiro dele. Não agora.
- Feliz?
- É, você não? Aquele babaca não a merecia. Ela pode e terá alguém melhor do que ele ou qualquer outro.
- E quem seria essa pessoa? - fechei a porta da geladeira e o encarei. Ele sorriu nervoso.
- Que sabor de sorvete vai escolher? Estou com fome.
- Porque terminou tudo com a Bonnie? - fui direto ao assunto.
- E porque quer saber?
- Responda.
- Ela não era a mulher que sonho para passar a vida inteira ao lado. Eu não a amo. - respondeu e continuou a me olhar. Me senti desconfortável ao imaginar o que perguntaria a seguir. Mas era preciso.
- Você ainda sente... Sente aquilo por mim? - perguntei de uma vez. Ele pareceu ficar ainda mais nervoso.
- Acho que vamos pegar o de chocolate. - referiu-se ao sorvete. - Se apresse antes que o filme termine. - cortou, tornando a caminhar para a sala, onde Ashley estava. Suspirei. Será que é o que estou pensando? Será que ele ainda sente algo por mim? Nachos!
[...]
POV JUSTIN
- Tenha calma, querido. - riu minha mãe.
- Eu realmente preciso saber onde eles estão. Porque não foram nos buscar no Aeroporto? - perguntei desapontado olhando pela janela do táxi.
- Talvez eles tenham se esquecido.
- Mas isso não é legal, como poderiam ter esquecido?
- Não fique assim. - tentou carinhosa. Aquilo tinha magoado, como foi que ela esqueceu que eu estava chegando? Logo ela, a Anna Mel? Passei a viagem inteira pesando nela, trouxe doces e lembranças e ela se esquece de mim. - Não vai ficar emburrado aí, não é? - falou apertando a minha mão enquanto o carro dava a volta no quarteirão. Não respondi. Com a mão livre, arrumei o óculo ao rosto e vi minha casa se aproximar muito rápido. Quando dei por mim, estava andando na direção da porta levando minha mala de rodinhas. Ao meu lado, mamãe destrancou a porta e a abriu. Tudo aconteceu bem rápido. Em um momento a sala aparentava estar escura e vazia; no outro, as luzes se ascenderam e pessoas gritaram boas vindas para mim. Tinha um grande bolo decorado, muitos balões e fitas coloridas. Ashley de vestido rosa e com sorriso no rosto, Damon batendo palmas e de olhos pregados no bolo, Mike sorria e ao seu lado, mas encantadora do que nunca, Anna Mel. O sorriso mais lindo que já vi no rosto e os olhos verdes brilhando. No momento seguinte, senti seu corpo contra o meu, em um abraço maravilhosamente forte e apertado.
- Como é bom ter você de volta. - disse abafado entre a curva do meu pescoço - causando um arrepio ali.
- Pensei que tinha esquecido de mim. - falei sincero a ela, apertando ainda mais o abraço que nos unia. O cheiro de seu perfume era maravilhoso.
- Nunca esqueceria de você, querido. - segurou meu rosto com as duas mãos pequeninas; senti nossos lábios unidos em um beijo - não tinha língua, mas ainda sim era perfeito - e nos separamos entre sorrisos largos ao ouvir os berros da loira.
- JUJUBA! MINHA JUJUBA, VENHA ABRAÇAR A SUA LOIRA AMADA, VENHA! - não preciso dizer que era o abraço mais maluco e sufocante de todos. Mas ainda sim, aquilo me fez rir quando ela me soltou, e pude tornar a respirar. Vi mamãe e Anna se abraçando, com a loira analisando o cabelo da minha mãe.
- É bom ter você de volta, cara. - comentou Mike enquanto apertavamos as mãos.
- Só estou aqui por causa da comida. - revelou Damon. Por incrível que pareça, eu ri daquilo também.
- Hey, essa frase é minha! - reclamou a minha comilona. Ela veio até mim, e me permiti abraçá-la de lado.
- Falado não é roubado.
- É sim.
- Não, não, não.
- Se repetir essa frase, vai se arrepender.
- Vou, é?
- Ashley tem um lindo salto de bico fino, que serve perfeitamente bem em mim. - esclareceu a morena.
- Tudo bem, nunca mais roubo suas frases na vida.
- Bom rapaz.
- Vocês fizeram tudo isso pra mim? - perguntei feliz. Ashley mexeu a cabeça positiva. 
- Uhum. A Anna fez todas as comidinhas, docinhos. Tivemos que amarrar ela na cadeira, porque depois de pronto, ela sentiu fome e tentou comer. - explicou a loira.
- Eu estava com fome! - defendeu-se Anna. Tornei a rir.
- Mas eu cuidei da decoração, fiz tudinho sozinha, Jujuba. Foi um trabalhão, cançou pra Chuchu minha beleza impecável, então é melhor você dizer que está maravilhoso.
- Está muito bonito, é. - balancei a cabeça com medo dela me dar uma Esmaltada na cara.
- Ótimo. Agora vou ter alguém para pintar minhas unhas sem reclamar.
- Eu não reclamo! - protestou Damon. Ela fingiu que ele não estava ali, e aquilo parecia magoá-lo.
- Você, Juju, e a Anna vão fazer minhas unhas perfeitamente belíssimas amanhã depois da escola, e nada de ficar rindo de mim e se escondendo para ir a cozinha e comer sorvete, pipoca, lasanha e chocolate quente.
- Eu não como tudo isso!
- E também não sai do quarto a noite, batendo os dedinhos em todos os móveis só pra comer, não é? - debochou a loira de braços cruzados.
- É claro que não! - retrucou envergonhada enquanto eu lhe beijava a bochecha, caindo na gargalhada. Como era bom estar de volta.

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