18 de nov de 2014

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 15 - Esclarecimentos

POV ANNA
  Sentei no sofá ao lado de Justin, mesmo temendo o que iria ouvir. Ele estava nervoso, mas não tanto quanto eu. Pelo simples fato de não fazer ideia, até um dia atrás, que ele estava envolvido nisso. Não sabia o que ele tinha ouvido e visto, além de ser horrível relembrar algo que tentava esquecer todos os dias. Aquele dia me assustava, e saber que não conseguia lembrar exatamente do que fiz ali, era ainda pior. Queria acreditar que não tinha provocado fogo nenhum, pois tudo levava a crer que Kate estava morta, e não me perdoaria se tivesse tirado a vida dela mesmo que sem intenção. Mesmo que ela merecesse morrer. Para ser honesta, nada daquilo deveria ter acontecido. Só tínhamos quatorze anos na época.
- Não sei por onde começar. - ele disse baixo, com os braços apoiados nos joelhos. Ele não ousou me olhar nenhuma única vez.
- Eu dei um dia para pensar no que diria, Justin. Não exigi que contasse ontem porque era o aniversário do Damon, e ele não merecia ter a felicidade interrompida devido nossos esclarecimentos. Mas agora a casa está vazia, a noite está calma, os cães estão dormindo e você já teve tempo suficiente para pensar. Não só desde ontem. Deveria ter me contado isso há muito tempo.
- Anna...
- Quero que me conte o que aconteceu, Justin. Eu preciso saber.
- Tudo bem, eu vou contar.
 "Era uma noite de domingo, tranquila como essa. Estava andando na minha bicicleta, quando passei pela sua rua. Você estava com Ashley, e pareciam sérias demais para duas garotas de quatorze anos numa linda noite de domingo. Nenhuma das duas falava, mas andavam de braços dados e à passos rápidos. Lembro perfeitamente de como você estava bonita, mas algo parecia perturbar você. Por isso resolvi seguir vocês, mesmo que de longe. Fiquei preocupado. Nunca vi você tão séria como estava naquele dia.
  Fiquei temeroso quando percebi que estavam a caminho da casa de Kate. Ela era o tipo de garota perigosa demais para a idade, e me preocupava saber que você andava com ela. Mas no lugar de entrarem pela porta principal, passaram reto por ela e seguiram por um beco um tanto pequeno, que ficava ao lado da casa de Kate, que dava para o armazém da família localizado atrás residência da família Benner. Eu deixei minha bicicleta do outro lado da rua, e as segui. Quando cheguei perto do armazém, só tive tempo de ver você entrar.e o portão se fechar. Fiquei perto de uma árvore, lembrando o quanto pareciam aflitas durante todo o caminho até lá; aquilo me fez perceber que não era uma visita de amigas prontas para diversão, mas sim um acerto de contas ou algo parecido. 
  Lembro que passei bastante tempo ali, parado, esperando você e Ashley saírem. Até ouvir alguns gritos virem do armazém. Não consegui entender exatamente o que estava acontecendo, mas reconheci a voz da loira, a sua voz, a da Kate e de Britney. Entendi que estavam brigando, pela agressividade na voz de Kate. A única coisa que entendi foi a voz suplicante de Ashley pedindo para que vocês se acalmassem, mas ninguém pareceu ouvir ou acatar. Você estava furiosa, Anna. Foi por isso que comecei a me aproximar da construção, tomando o cuidado para não ser visto nem por vocês, nem por alguém de fora. 
   Então ouvi o som de algo cair no chão, como se alguém estivesse em luta corporal. Nunca descobri se você estava brigando com alguma das meninas, mas era impossível não ouvir o som de tapas e vozes ofegantes. A única certeza que tenho, é que o que caiu no chão durante a briga, foi o estopim para o que aconteceu em seguida. Não tinham mais gritos ou tapas. Todo o som parecia ter sumido, para ouvir o que tinha tomado seu lugar. Se espalhou tão rápido quanto o vento, e como estava perto, pude sentir o calor como se estivesse lá dentro. O lugar estava pegando fogo. E fiquei apavorado. Aquele armazém continha produtos inflamáveis que estavam ajudando o fogo a se espalhar ainda mais rápido. 
  Corri até a porta, e tentei de tudo para abri-la. Mas alguém a tinha trancado por dentro. Agora, eu ouvia vozes desesperadas e preocupadas, eu sentia o pavor na voz de cada uma de vocês. Quando identifiquei sua voz, Anna Mel, a segui dando quase uma volta completa no galpão, até achar uma porta um pouco menor do que a central. O crepitar do fogo lá dentro me fazia tremer, mas consegui arrebentar o cadeado da porta com um pedaço de madeira. Quando entrei, uma cortina de fumaça atrapalhou minha visão durante alguns segundos, mas depois, minha visão ficou um pouco mais clara. Uma espécie de linha formada pelo fogo dividia o lugar ao meio, separando você e Ashley de Kate e Britney. A fumaça começava a me deixar tonto e um tanto sem ar, mas ainda sim continuei. 
  Foi então que eu vi você, deitada no chão como se estivesse dormindo, e Ashley ajoelhada a sua frente. Ela chorava e chacoalhava você, tentando te acordar mas nada daquilo estava funcionando. A loira estava tão apavorada que não conseguia pensar. Corri entre as paredes e produtos em chamas até chegar em vocês. Se sua amiga ficou surpresa ao me ver ali, ela não demonstrou, porque estava preocupada demais em me ajudar a tirá-las dali. Peguei você no colo e Ashley se apoiou no meu ombro. Fui guiando-as, voltando pelo mesmo lugar pelo qual entrei. Ela vacilou algumas vezes, principalmente quando uma mecha de seu cabelo loiro quase tocou o fogo. Enquanto saíamos, tive certeza de ouvir a voz de Kate pedir socorro. Mas ela já estava distante demais, e mesmo se retornasse, seria impossível tirá-la do lugar em que o fogo ia cercando-a. Eu não conseguiria salvá-la.
 Quando estávamos do lado de fora, respiramos tão fundo a procura de ar puro, que perdi o equilíbrio e cai perto de uma árvore. Lembro que fiquei com você nos meus braços, ouvindo o choro da loira e o crepitar das chamas que devoravam o armazém sem piedade. Não lembro de ter ouvido Kate gritar enquanto morria, e não sei como Britney conseguiu escapar, mas lembro de ter virado uma última vez e ver o lugar explodir. Assustados, fomos embora o mais rápido que pudemos. Ashley empurrava minha bicicleta enquanto eu carregava você. Passamos por um parque infantil vazio, e a primeira coisa que fiz foi deitar você na grama para começar os primeiros socorros. Peguei minha garrafa d'água da cesta da bicicleta e lavei seu rosto e deixei você deitada de lado. 
  O ar puro e nossos cuidados, ajudaram você a se recuperar aos poucos. Você acordou, mas como estava de costas para mim, não me viu. Talvez ainda estivesse meio tonta e sem entender o que acontecia. No final, foi fácil deixar vocês na casa da loira, ao qual os pais tinham viajado e a governanta "barra" babá dormia como uma pedra. Você também acabou adormecendo, provavelmente dois minutos depois de acordar no parque, e antes de levarmos você pra casa. Lembro que Ashley me perguntou como tinha parado lá, e porque as tinha salvo a vida. Ela estava imensamente grata e assustada com o que tinha acontecido. Depois de verificar que ela estava bem, a fiz prometer que não diria nada do que houve a você. Fiz Ashley prometer que nunca diria que estive lá. Que para você, ela explicaria que tirou, sozinha, vocês duas de lá. Ela resistiu por algum tempo, mas acabou cedendo. Fui embora minutos depois. E Ashley, bom, ela cumpriu a promessa." 
OUÇAM: Plumb - Don't Deserve You
  Depois de ouvir tudo aquilo, eu realmente não sabia o que dizer. Ali estava toda verdade e ainda sim custava em acreditar que tudo aquilo tinha acontecido. Mas Justin não estava mentindo. Eu não sabia o que pensar, fazer ou dizer. Minhas mãos tremiam um pouco com a lembrança do que houve, mas, de repente, as coisas pareciam se encaixar. Era tão louco, e ao mesmo tempo maravilhoso, saber que ele tinha nos salvado.
- Por favor, diga alguma coisa. Seu silêncio está de deixando louco. - Justin falou baixo, ao meu lado. Sua voz tinha um tom de súplica. - Não fique chateada com a Ashley, ela não disse nada porque eu fiz com que ela prometesse.
- Não estou brava com ela. - falei baixo, olhando para meus pés. - Ela é a pessoa mais leal que já conheci, e se ela prometeu, ela vai cumprir. Mas não entendo você. Não entendo nenhum pouco.
- Não me entende? - perguntou com cautela.
- Não. Não entendo porque preferiu manter isso em segredo desde o início. - quando olhei para seus olhos cor de mel, lembrei que quando acordei no parque e vi minha amiga me socorrendo, senti alguém me manter naquela posição enquanto eu puxava o ar puro para meus pulmões, e esse alguém não era minha amiga. Era ele. Sempre foi ele. - Você nos salvou, Justin. Você é um herói. Não só me salvou a vida, mas também salvou a vida da minha melhor amiga, na verdade ela é mais do que uma melhor amiga, é uma irmã. Você fez uma coisa maravilhosa. Nenhuma de nós estaria aqui se não fosse você. Porquê teve vergonha disso?
- Não tive vergonha.
- Não é o que parece. - levantei do assento, passando as mãos nos cabelos. - Estou tentando entender você, mas não dá. Se não teve vergonha, porque quis esconder?
- As pessoas diziam que eu perseguia você, que eu seria capaz de espiar pela janela pra ver você trocar de roupa. O que acha que aconteceria se eu contasse o que houve? Você certamente pensaria que as pessoas estavam certas, que eu estava te perseguindo quando tudo aconteceu. Eu não queria que você pensasse aquilo de mim, principalmente com as pessoas que você andava, Anna.
- Jamais pensaria algo assim de você, Justin.
- É porque me conhece muito bem agora, mas naquela época, quase nunca nos falávamos. E seria fácil que você fosse influenciada por eles. Eu salvei você, mas não foi pra ser o herói da cidade. Salvei você porque te amava e não deixaria você morrer, principalmente daquele jeito. Eu queria você bem, e depois que estava em segurança, vi que minha missão tinha sido comprida. E sinto muito por não ter contado.
  Ali estávamos os dois, trocando olhares intensos, de pé, no meio da sala de estar.  Eu ainda não sabia como reagir ao que tinha ouvido. Tudo que podia, era sentir meu coração bater à mil. Lembrei que antes do armazém em chamas, Justin já sofria Bulliyng, e me irritou saber que aquilo contribuiu para que esse acontecimento fosse um segredo. Poderia ter conhecido-o antes, poderíamos... Céus! Agora, só podia pensar no quanto era sortuda, no quanto estava grata por ele ter aparecido e nos tirado de lá, por ele ter estado lá por mim desde quando não havia um "nós". E, bom, agora, só podia pensar no quanto queria beijá-lo.
- Falando como a Anna do passado: Obrigada, Justin.Você salvou minha vida e a da minha amiga. - suspirei fundo, dando um passo a frente. Estávamos à alguns poucos metros de distância.-  Falando como a Anna do presente: Obrigada, Justin. Obrigada por estar sempre lá por mim, mesmo sem eu merecer. Obrigada por salvar a vida da doida que eu amo tanto, obrigada por ter cuidado de mim e me amado. Obrigada por ser quem você é, e não, eu jamais odiaria você por isso. Não tem que se desculpar por nada. Você é um herói, Justin. O meu herói. E eu não mereço você.
  Poucos segundos depois, ele tinha segurado meu rosto com as duas mãos e beijado minha boca. Imitei seus movimentos, saboreando aquela maravilhosa sensação que aquele beijo provocava em mim. Era sempre como se fosse a primeira vez, e agora não era diferente. Era ainda mais especial porque tive mais uma confirmação de que podia confiar minha vida a ele; e a vida das pessoas que eu amava. Com ele, eu estava segura. Pela primeira vez, desde a morte da minha mãe, eu estava feliz. Estava em casa.
Parem a música.
[...]
UM DIA DEPOIS...
- Eu quero lasanha também, não esquece de mim! - ouvi a voz de Caitlin vir da sala. Todos estavam esperando a comida ficar pronta para por o filme. Era dia de Cine Pipoca, porém, com lasanha. Lembro que estava conversando com Justin na cozinha quando Ashley apareceu. Não tivemos chances de conversar depois que falei com Justin na noite passada. Na suas roupas rosas de sempre, ela acenou tímida pra mim, olhando Justin de esguelha. Ele entendeu o recado: ela queria falar comigo.
- Vou acalmar aqueles malucos. - ele beijou minha bochecha. Quando passou pela loira, acenou, sorridente. - Olá loira!
- Oi Jujubona.- respondeu baixinho. Ela ainda ficou parada no mesmo lugar quando ele saiu, e restava apenas nós duas. - Você está chateada comigo? Eu sinto muito, sinto mesmo! Juro por todos os tubos de esmaltes cor de rosa da face da terra! Juro pela minha cachorrinha, por mim e até pelo Damon lindão. Eu não queria mentir, eu não quero perder sua amizade. Você é como uma irmã pra mim. Tá, uma irmã rebelde que não gosta de rosa, mas irmã mesmo assim.
- Não estou chateada com você. - ela arregalou os olhos com a surpresa de tal maneira que não consegui não gargalhar.
- Como assim? Quer dizer, eu escondi algo de você e...
- Eu sei que escondeu algo muito sério de mim. - falei quando parei de rir. - Mas fez isso porque tinha prometido a outra pessoa. Entendi desde o primeiro momento porque você escondeu de mim. Além do mais, você poderia ter me deixado lá pra morrer e ter salvado a própria pele. Justin me contou que viu você tentando me reanimar. Não me deixou lá, quase morreu junto comigo. Se isso não é ser amiga, então eu não sei o que é.
- Então você me perdoa? - ela deu um passo a frente, receosa. Andei até ela e lhe dei um abraço forte. Ela me abraçou de volta. - Prometo que nunca mais vou prometer algo desse tipo a alguém se for precisar esconder de você. Juro juradinho. - contou quando nos separamos.
- Tudo bem. - ri. - Ah, e prometa que vai me contar se afanar um dos meus doritos. Noite passada notei que faltou um.
- Eu tenho que contar sempre comer? Sempre? - perguntou.
- Claro. São meus bebês, ué!
- Tá bom, eu prometo sempre contar se for comer seus doritos. - concordou meio a contra gosto e sorri vitoriosa. Agora meus doritos estão salvos dessa devoradora sem controle! Enquanto ria, tiramos a lasanha do forno e partimos pedaços iguais para todos. Tá bom, vou ser sincera, o pedaço maior era o meu, mas ninguém ia perceber a diferença. E, em minha defesa, foi eu quem fez: então eu mereço comer mais do que eles. Mas voltando, nós levamos os pratos em bandejas para a sala. Só percebi segundos mais tarde quem estava sentado entre os garotos, conversando animadamente. Não pude conter o sorriso feliz.
- Vovô?
- Minha querida, é bom ver você! Seus amigos adoráveis me contaram que você fez lasanha para o Cine Pipoca de hoje. Posso me juntar a vocês? - o sorriso em meus lábios pareceu respondê-lo perfeitamente bem. Sim, ele não só podia, como devia.

30 de out de 2014

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 14 - Festa de Aniversário

POV ANNA
  Pus o bolo no centro da mesa, e logo desviei o olhar para não devorá-lo antes da festa. Hoje era aniversário de Damon e resolvemos fazer uma festa surpresa para ele. Enquanto arrumávamos a casa, os convidados que iam chegando nos ajudavam a organizar o que faltava, e deixavam seus presentes na poltrona que apelidamos de Trono dos Presentes.
 Enquanto isso, Ashley o distraia até quando tudo estivesse pronto. Sorri aliviada quando percebi que tudo estava em seu devido lugar. Até mesmo o cartaz feito por Ashley de "Feliz aniversário, Damon Lindão!", já tinha sido o primeiro a ter seu lugar definitivo, e era, obviamente, todo cor de rosa. A casa estava cheia de bolas coloridas e tinha ponche suficiente para encher uma piscina. A primeira medida que tomei foi guardar o restante da comida no meu quarto, o trancando bem logo em seguida. Já nossos bichinhos estavam no quarto do meu irmão. 
- Já esta tudo pronto, querida? - Justin perguntou, parando ao meu lado. Sorri para ele, percebendo o quanto estava bonito. Ele sorriu de volta.
- Está sim.
- Ótimo, Cait já mandou uma mensagem pra Ashley, eles não devem demorar a chegar. - disse ele, ficando agora, a minha frente. - A propósito, você está linda. - sorriu e me beijou bem de leve.
- Obrigada. Você também está lindo.
- Minha santa paciência, vocês só sabem falar isso? - reclamou Sara, parando a nossa frente.
- Quem foi que te convidou, garota? - perguntei irritada. Eu só conseguia lembrar do modo como ela debochou do meu horror a baratas, quando escutei a conversa dela com Justin. Porém, tudo que ela fez foi sorrir para mim.
- Eu a convidei, Anna. - olhei para Justin incrédula.
- Como? 
- Eu disse a você que a convidaria, ela é minha amiga. - disse gentil.
- Como você pôde, Sara? - falei sem acreditar no que via.
- O que foi que eu fiz? - disse, me olhando estranho. - Se não quer que eu fique, vou embora ago...
- Como você pode estar comendo antes mesmo da festa começar? Você faz ideia do quanto estou me segurando para comer apenas quando o aniversariante chegar, e você me aparece com uma empadinha, como se não fosse nada de mais? - não entendi porque, de repente, meu namorado e sua amiga, tiveram uma crise de risadas. 
- Você estava certo, Justin, ela é doidinha! - dizia Sara, entre algumas risadas.
- Doida coisa nenhuma! Estou falando sério, parem de rir os dois! - exigi irritada.
- Tudo bem, me perdoe. - desculpou-se Sara.
- Está desculpada, mas fique o mais longe possível do meu quarto...
- Acha que vou roubar alguma coisa ou algo parecido? Que vou comer alguma comida que você tenha escondido?
- Acho. - fui tão sincera que me assustei com isso. Antes que Sara pudesse falar, e Justin reclamar comigo, John veio até nós, animado. Justin o tinha convidado, e devo admitir que ele era legal, de um jeito estranho, mas era.
- Eles chegaram, pessoal! - anunciou.
- Todos para seus lugares, Mike, apague a luz. - falei alto o suficiente para que os dois do lado de fora não ouvissem nada.
  Meu irmão apagou as luzes da sala, onde ficamos parados em silêncio, formando uma espécie de "U" no cômodo, deixando bastante espaço perto da porta. Enquanto Sara se moveu para o lado do amigo, John fez o mesmo comigo. Estava aprendendo a me acostumar com o tipo de humor dele.
- Eu adoro essa parte. Quando menos se espera... BUM! - sussurrava em meu ouvido, fazendo até, onomatopeias. Tentei não rir. - Você é pego desprevenido. Parece muito com filmes de terror.
- A diferença básica é que é uma festa surpresa.
- Mas poderia ser um assassino.
- Absolutamente! - concordei, rindo baixo. Ouvimos a porta abrir e as vozes de Ashley e Damon invadir a sala. Ainda estava tudo escuro. Justin deu um breve aperto em minha cintura e falou em um sussurro no meu ouvido.
- É agora. - assenti positivo, mesmo sabendo que ele não podia ver. Quando as luzes foram acesas, Damon arregalou  os olhos, assustado, enquanto cantávamos Parabéns pra Você. A loira ria da cara que ele fez, porque ele obviamente não esperava por isso. Ele olhava para todos os lados, reconhecendo os rostos, se recuperando do susto.
- PARABÉNS DAMON! - gritamos quando a música acabou. Ele parecia não acreditar que aquilo estava acontecendo, e era muito fofo.
- Nossa, isso tudo pra mim? Valeu galera. - agradeceu, envergonhado, coçando a cabeça. - Agora estou entendendo porque estavam todos vocês de segredinhos.
- A ideia inicial foi da Ash, mas todos ajudaram. - comentei sorrindo.
- E a Anna fez quase toda a comida sozinha. - disse Justin, orgulhoso.
- Eu cuidei da bebida. - falou Mike.
- Ashley e eu cuidamos da música, da organização desse espaço, e dos convidados. - comentou Cait ao lado do meu irmão.
- Temos comida, bebida, música e gente bonita? Então solta o som, parceiro! - Damon falou, já empolgado, e o garoto que estava como Dj hoje obedeceu sem questionar. 
- Hey linda, quer dançar? - disse John para Sara, que aceitou o convite num piscar de olhos. Eles sumiram entre as pessoas e Justin e eu rimos. Ele segurou minha mão, nos levando para o meio das pessoas e começamos a dançar ao som da música. Justin era um dançarino nato, movendo-se tão bem de acordo com a música, que me deixava orgulhosa e impressionada. Não sei quando tempo ficamos dançando, mas sei que foi o suficiente para fazer meus pés doerem e o corpo dar sinais de cansaço. Quando saímos do meio daquelas pessoas, Justin me levou para perto da escada, mas ainda sim precisou gritar para se fazer ouvir.
- Quero te mostrar uma coisa. - berrou ele, e apontou com o dedo indicador para a escada. Concordei e o segui escada à cima. O som ficou abafado quando Justin fechou a porta do quarto dele. Era um lugar tão familiar, tão acolhedor.
- O que você quer me mostrar? - perguntei curiosa, sentando na cama. Ele pegou o violão que estava apoiado perto da porta; em seguida, tirou um papel meio amarelado do bolso da calça. Sentou a minha frente na cama, logo depois.
- Bom, eu compus muitas músicas para o meu álbum de estreia, e gravamos no estúdio algo bem bacana. Queria que ouvisse uma delas, porque é graças a você que ela está aqui. - aquilo me fez sorrir. Então quer dizer que ele fez uma música pra mim?
- Ela vai para o cd? - perguntei curiosa e feliz. Ele afirmou com a cabeça, dando uma arrumada básica nos óculos.
- Eu estou um pouco nervoso, nunca cantei para uma garota.
- Então me sinto honrada. - sorri para ele. Então ele tocou o primeiro acorde, e depois mais outros e sua voz invadiu o quarto. Ele dividia olhares entre o violão e meu rosto: eu estava encantada. A voz de Justin estava ainda mais linda, combinava perfeitamente com ele. Eu não conseguia parar de olhar, nem de sorrir com aquilo.
- Did you know that I loved you; Or were you not aware? You're the smile on my face; And I ain't going nowhere. I'm here to make you happy; I'm here to see you smile; I've been wanting to tell you this; For a long while. - ele sorriu tão verdadeiramente que meu coração batia forte. - Who's gonna make you fall in love? I know you got your wall; Wrapped all the way around your heart; Don't have to be scared at all, oh my love; But you can't fly unless you let ya; You can't fly unless you let yourself fall.
  Era como se a música agitada que vinha do andar de baixo não chegasse até os meus ouvidos. Ele tinha minha total atenção. A letra era linda, o que me fez pensar que ele escreveu isso pensando nos nossos tempos de escola, tempos esses em que nós éramos simples amigos. Meu sorriso parecia ficar maior a cada verso que saia de sua boca, e quando a música acabou, não pude evitar beijá-lo. Nós riamos durante o beijo, e aquilo me fez perceber que meu amor por ele ficava cada vez maior. Senti seus braços largarem o violão e rodearem minha cintura, como se fossem feitos para se encaixar bem ali. Era um abraço que me fazia sentir completa, amada, protegida.
- Ficou muito bom. - falei, com o rosto a centímetros do dele. - Obrigada.
- Eu que agradeço. - sorriu. - Sabe, sinto que apesar de namorada, você é minha melhor amiga. Posso contar coisas a você, me sinto inteiramente a vontade perto de você, posso contar qualquer coisa porque sei que vai me ouvir e entender. Posso ser sincero, eu mesmo. Isso é fantástico. - ele me beijou mais uma vez, porém, apesar disso, algo me incomodava. Porque eu estava escondendo algo dele. Tá, não é algo que se diga, "nossa, mas que horror!", até mesmo porque eu nem sabia se aquilo era real. Como eu ia contar pra ele que estava vendo um "fantasma"? Ele pensaria que enlouqueci de vez completamente. Por isso tratei de esquecer isso e me concentrar nele.
- Adorei a canção. - afirmei, apoiando a cabeça em seu ombro. Será que eu devia contar pra ele? Será que me julgaria louca? Será que entenderia? A ideia de contar o que estava acontecendo foi embora com a mesma rapidez com que veio. Senti suas mãos fazerem carinho em meus cabelos. - Justin, você nunca me julgaria, não é? Quero dizer, se eu falasse algo estranho, você me acharia louca?
- Me dê um exemplo de "coisa estranha". - disse calmo.
- Algo tipo... - pensei numa forma mais suave de dizer: estou vendo o fantasma da garota que fez meu ensino fundamental ser uma droga. Mas não tinha como dizer sem parecer uma perturbada, por isso, desisti no meio do caminho. - Quer saber? Esqueça que perguntei isso. - falei tentando soar displicente.
- Quer me contar alguma coisa? O que perturba você? - perguntou ele. Era difícil esconder coisas de Justin, pelo simples fato dele me conhecer tão bem quando eu mesma. Parecia que ele podia sentir que algo estava acontecendo comigo. - Não precisa falar agora, se não quiser. Mas vou estar aqui quando quiser e puder falar. - ele deixou um beijo em meus cabelos, e me senti calma de novo. Confortável e segura. Aquela era uma das muitas coisas sobre ele que eu amava: Justin não me forçava a dizer algo que eu claramente não queria. Era paciente e compreensivo.
- Obrigada. - agradeci, beijando sua bochecha. - Agora é melhor descermos antes que a comida acabe. E falta bater os parabéns, Damon fazer os desejos e dar o primeiro pedaço do bolo, apesar de sabermos que quem vai receber é a loira. - assim como eu, ele riu, imaginando a carinha de 'falsa' surpresa que ela faria.
- Tem razão. Além do mais, tenho que fazer um pouco de companhia para a Sara. - concordou ele.
- Companhia? Ela está muito bem com o John, lembra? - perguntei rindo, sendo acompanhada pelo nerd. Era de fato uma situação engraçada, no fim das contas. Afinal, eram os dois amigos dele que se deram 'bem de mais' logo de cara. 
-Aqueles dois! - riu, enquanto saíamos de seu quarto, retornando para a festa. Ainda na escada, vi Damon e Ashley dançando no meio das pessoas; assim como Mike e Cait. Eles estavam felizes, e era maravilhoso vê-los assim.
- Então resolveram seguir meu conselho e foram se pegar num lugar mais reservado? - Sara apareceu a nossa frente, o sorriso quase maior do que a cara. Quase levei um susto.
- Não estávamos nos pegando. - respondeu Justin. - Fomos apenas conversar sem precisar gritar para ser ouvido.
- Uhum, sei! - ela fez uma cara de quem não tinha acreditado. - Você finge que é verdade, e eu finjo que acredito. - ela riu, balançando a cabeça.
- Pensei que estivesse com o John.
- Pois é, baixinha, eu estava. Mas foi buscar uma bebida para nós.
- Sabe dizer se ainda tem comida? - perguntei, desviando meu olhar dela, para a festa e as pessoas, a procura de alguém que estivesse devorando alguma coisa. Mas, no entanto, tudo que via eram jovens segurando copos de plástico, cheios de bebida alcoólica.
- Porque você só pensa em comida? Parece que tem um buraco negro na barriga...
- Ah, cala a boca, Sara!
- Você quer beber alguma coisa, Anna? - perguntou Justin, arrumando o óculo com o dedo indicador. - Eu consegui refrigerantes e sucos, sabe, pra não ser apenas bebidas. E como sabemos que a maioria vai beber, alguém precisa ficar sóbrio. Não que isso seja uma indireta para você não beber, eu só...
- Tudo bem, eu entendi. - ri, fazendo carinho na bochecha dele. Parecia ainda mais macia do que antes. - Eu gostaria de um refrigerante, obrigada.
- Só isso?
- Bem, pode trazer todo e qualquer tipo de comida que encontrar no caminho.
- Porque eu perguntei, mesmo? - ele riu, deixando um selinho em meus lábios. - Volto logo.
   Vi Justin descer os últimos degraus e sumir no meio daquela massa dançante, chamada humanos. Senti um certo vazio quando ele se foi, e não ajudou em nada quando percebi que Sara ainda estava ali, parada na minha frente, um degrau a baixo, me olhando como se estivesse tentando achar em mim, algo que pudesse comentar e assim começar uma conversa. Então lembrei da conversa dela com Justin ao celular, de como ele deu dicas para que ela pudesse puxar assunto comigo. Não sabia se ela iria realmente tentar ser minha amiga por ele ter pedido, e diferente de tudo que imaginei, eu não sabia como reagir. Por isso fiquei parada onde estava e tornei a olhar para a frente, onde as pessoas dançavam, implorando mentalmente para que meu namorado não demorasse.
- Ele é nerd o tempo todo? Tipo, até mesmo quando estão sozinhos? - ela perguntou, chamando minha atenção para ela.
- As vezes. Mas ele é um doce. E pra ser sincera, ser nerd o deixa ainda mais atraente. - respondi simples, encarando-a. Ao que parecia, ela estava tentando ser minha amiga porque ele pediu. O problema com Sara era que eu não gostava dela desde o primeiro dia em que tivemos contato. Okay, você me pergunta: "como você pode não gostar de uma pessoa que nem conhece?". A questão era que eu também não sabia o motivo da antipatia.
- Justin fala muito de você. Sabe...
- Sara, antes de mais nada, quero que saiba que escutei sua última conversa com ele ao celular, no dia que faltou energia no meu quarteirão. Eu sei que está fazendo isso por ele, então é só fingir que nos damos bem quando ele estiver por perto.
- Eu sei que você ouviu, ele me contou. E não estou fazendo isso só por ele.
- Está fazendo isso porque, então?
- Porque começamos com o pé esquerdo desde que nos conhecemos, e particularmente não gosto de ter "inimigos", principalmente quando a pessoa em questão é a namorada do meu melhor amigo. Acho que devemos ter uma segunda chance, você até parece ser uma pessoa legal. - tentei encontrar nela algo que denunciasse sua mentira, porém tudo que via era alguém falando a verdade em seus mínimos detalhes. E isso me deixou sem resposta por alguns segundos. - Além disso, ele também comentou que você é fã do Justin Timberlake, que gosta de ler e que cozinha muito bem. Temos gostos em comum, e eu adoraria conversar sobre a nova música do JT ou qual livro vai ser lançado esse mês, apesar de ser Justin quem me dá essa informação, já que ele está sempre mais bem informado sobre livros do que eu. E tem coisas que só se devem falar com uma mulher.
- Ele nunca sabe o que fazer quando estou com cólica. - comentei, rindo. - Ele sempre diz: "Respire fundo, faça uma massagem na região dolorida enquanto vou buscar o remédio. Qualquer coisa grita!". E sempre diz que estou linda, mesmo usando uma roupa horrorosa.
- Viu só porque acho que vale a pena tentarmos ser amigas? Não dá pra conversar sobre isso com ele.
- Pensei que você tivesse outros amigos além dele. - confessei, meio intrigada. Então quer dizer que ela queria ser minha amiga? Tá, por essa eu não esperava. Quer dizer, Sara é uma garota muito bonita, descolada, falava com todo mundo.
- Não tenho muitos amigos, só tenho aqueles a quem sei que considero verdadeiros amigos.
- Desculpe, eu achei que estivesse fazendo isso apenas porque Justin pediu.
- Em parte sim, afinal ele é meu melhor amigo, mas acho que vale a pena sim. Só começamos do jeito errado. - ela deu de ombros, mas não tirava os olhos dos meus.
- Tudo bem, então. Prazer, Anna Mel. - estendi a mão para ela, um pequeno sorriso apareceu em meus lábios. Ela também sorriu, apertando a mão que eu tinha estendido.
- Prazer, Sara. - Não sei quanto tempo passamos conversando, mas sabia que estava adorando conversar com ela.
[...]
POV JUSTIN
- Sempre me pergunto como essas pessoas conseguem fazer tanta sujeira. - reclamei, entrando na cozinha, depois de jogar o último saco de lixo no seu devido lugar. Anna estava sentada a mesa, comendo seu pedaço de bolo, tranquila e feliz. Durante a festa, quando estava voltando com a comida e o refrigerante da minha namorada, a vi conversando animadamente com Sara e fiquei contente por ver que elas tinham finalmente se entendido. A festa já tinha acabado, mas Damon ainda fazia o último pronunciamento quando voltei.
- Valeu mesmo, pessoal! Eu não fazia ideia que tinham preparado tudo isso pra mim. Só me pergunto como conseguiram fazer toda essa comida sem que eu percebesse. - Damon apontou para a mesa, quase abarrotada da comida feita pela minha namorada.
- Tenho meus truques, meu caro amigo. - Anna piscou orgulhosa, dando outra garfada no bolo.
- Você gostou mesmo? - perguntou Cait, sentada ao lado de Anna Mel. Ashley estava com a cabeça apoiada no ombro do aniversariante e este, por sua vez, abraçava sua cintura de lado. Mike estava em pé ao lado de Caitlin, mas apoiado com as duas mãos no balcão de mármore. Me sentei ao lado direto da baixinha, que devorava com prazer o bolo a sua frente.
- Se eu gostei? Eu amei, Caitlin! Como poderia não gostar?
- Ah, brigadinha! - murmurou a loira, apoiada no ombro dele. Sonolenta, mas ainda doida. - Vou pegar o seu presente, eu deixei no quarto. - Ashley deu um beijo na bochecha dele e saiu desfilando pela cozinha, mesmo que ainda sonolenta. Damon estava com um sorriso bobo no rosto, enquanto a observava. Os nossos cães podiam andar livremente pela casa agora, e pareciam adorar isso. Amora, no entanto, estava sentada perto de Anna.
- Você pode pegar o resto da comida, querido? Quando eu terminar esse bolo, eu te ajudo com o resto. - pediu minha baixinha, e como sempre não pude resistir a carinha fofa que ela fazia. Deixei um beijo em sua testa e levantei da cadeira. Foi um pouco difícil andar com os cachorros correndo por todo lado, mas ao chegar nas escadas pude caminhar mais livremente. Enquanto o aniversariante contava piadas no andar de baixo(deduzia pelo som das risadas), eu estava no corredor superior, pronto para abrir a porta do quarto da baixinha quando quase trombei com a loira.
- Jujubona, tá fazendo o que aqui?
- Anna pediu para levar a comida do quarto dela lá pra baixo. - a loira riu.
- Então ela realmente guardou uma parte da comida no quarto? Porque eu e minha beleza maravilhosa não estamos surpresas? - ela riu, e abraçou um pouco mais o presente de embrulho azul ao corpo. Estranhei a cor, e acho que ela percebeu isso. - Tá bom, eu queria um papel de embrulho rosa, mas não se dá um presente cor de rosa para um garoto. E sabe, meu Damon lindão merece um presente incrível, ele é maravilhoso. Sabe, Jujubona, nunca pensei que pudesse amar tanto alguém quanto amo ele. Não sei se fico feliz ou assustada.
- Damon ama você, tenho certeza que não fará nada para magoar você. - tranquilizei. - Até porque, você sabe usar muito bem seus sapatos de bico fino.
- Para, seu bobo! - ela riu, balançando a única mão livre. - Mas então, cê já contou pra Abelhinha?
- Contei o que?
- Sobre aquele treco, cê sabe, do dia que você nos salvou do incêndio. - Ashley falou num tom de voz mais sério, no entanto outra pessoa respondeu sua pergunta por mim, justo a que menos esperava.
- Não, ele não contou. - fiquei de frente para Anna, deixando o pavor tomar conta de mim. - Mas agora, ele vai me contar tudo.


NOTAS FINAIS
Oi meu povo! Depois de séculos eu volto :( bom, isso se deve, em parte, por ter perdido o capítulo todo e perdê-lo quando meu PC apagou de repente. Desde então ele está com problema e o teclado deu a loca, ou seja, tenho que escrever o cap inteiro pelo cel a partir de agora, então eu peço que tenham paciência, tá? Ainda estou pegando o jeito. Mas o que acharam do cap? Ficou bom? Me digam o que vocês acham nos comentários, sim? Espero que alguém ainda leia essa fic mesmo depois da minha demora rsrs Beijos flores e até o próximo :3
Roupa da Anna:  http://data3.whicdn.com/images/112576982/large.jpg
Roupa da Ash:  http://data3.whicdn.com/images/114418281/large.jpg
Roupa da Cait:  http://data2.whicdn.com/images/113904220/large.jpg
Roupa do Justin:  http://data3.whicdn.com/images/113908602/large.jpg
Roupa do Damon:  http://data3.whicdn.com/images/140715609/large.jpg
Roupa do Mike:  http://data2.whicdn.com/images/82471407/large.jpg
John:  http://data2.whicdn.com/images/139852091/large.jpg
Sara:  http://data1.whicdn.com/images/140587548/large.jpg

15 de set de 2014

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 13 - Blackout part. 2

POV ANNA
- Não quero jogar isso. Prefiro comer, já disse. - falei pela milésima vez. Justin tinha voltado para o meu closet pra tentar encontrar seu óculos. Depois, foi atender a ligação da amiga. E até agora não tinha voltado. 
- Você sempre prefere comer, Anna Mel. - disse Mike, e do jeito que eu o conhecia ele estava revirando os olhos. 
- É claro que não só prefiro comer: gosto de beber também. Tipo, sucos, refrigerantes, essas coisinhas. - dei de ombros.
- Eu quero... 
- Nós não vamos pintar suas unhas, Ashley. Não somos doidos. Além do mais, está muito escuro para isso. - retrucou Damon, interrompendo-a e ela fez bico.
- Cadê o Justin? - quis saber Caitlin. Dei de ombros, apoiando os cotovelos nas pernas. 
- Está no celular, falando com a  Sara. - bufei irritada.
- A colega de classe dele? - respondi a pergunta com um aceno de cabeça afirmativo. - Ué, mas porque ela está ligando pra ele a essa hora?
- Ao que parece, os dois tem um trabalho em dupla. Escrever uma canção, ou sei lá. - falei com desdém. 
- Mas porque não deixam pra resolver isso amanhã? - se intrometeu Ash. - Cê sabe que gosto quando todos me dão atenção, afinal, minha beleza precisa de admiradores. - Damon lhe deu um beijo na bochecha. 
- Pode deixar, querida, vou sempre admirar você. - eu conhecia aquele tom de segundas intenções. Ela piscou cúmplice, e eu não precisava  de mais iluminação pra saber que ela tinha ficado vermelha.
- Vai lá chamar ele, quero todo mundo aqui pra jogar, ora esmaltes! 
- Tá bom, vou lá. - levantei da poltrona, liguei a lanterna do celular e saí da sala. Fui até a cozinha, e o vi apoiado na porta que dava para o jardim, de costas para mim. Desliguei a luz da lanterna e fiquei ali, parada.
- Você realmente não tem jeito! - ele riu baixo. - Sabe muito bem que não é essa a música que vamos apresentar, Sara. - ele parecia muito relaxado, como se aquela conversa o divertisse. As batidas do meu coração pareceram mias aceleradas, como sempre acontecia quando ficava nervosa. Ele pareceu ouvir algo que ela dizia do outro lado da linha. Retomou a fala segundos depois.
- É claro que é verdade que faltou energia no quarteirão inteiro. Porque mentiria sobre isso? Mas não vou pregar uma peça nos meus amigos, apesar de ser uma ideia legal aproveitar o apagão e assustá-los. - ele riu mias uma vez. - Você é perversa! Como pude arrumar uma amiga como você? - ele parou para ouvir o que ela dizia.
       Fui o mais silenciosa possível para que ele não notasse minha presença. Eu iria ouvir essa conversa até o fim. Entre tantas outras pessoas com quem ele poderia fazer dupla, ele escolheu justo Sara Lavigne. Entre tantas outras pessoas, ele escolheu justo aquela garota pra ser sua amiga. Se eu estava com ciúmes? Sim, estava. Se tinha razões para isso? Sim, também. Se era errado escutar a conversa dele, não confiar nele? Era, mas que se foda.
- Assustar Anna? Você é doida? Ela chuta meu traseiro! - Justin riu mais uma vez. Essa foi uma das raras vezes em que queria ouvir o que ela dizia. - Uma barata de borracha na comida dela? Não, Sara, um sustinho tudo bem, mas isso já é maldade. Você sabe que ela tem fobia desse inseto... - ele parou por alguns segundos. - Eu sei que não gosta dela, mas isso não se faz.
- Desgraçada! - xinguei em um sussurro. E fiquei com raiva por Justin ter contado aquilo pra ela. Não queria que ninguém soubesse justamente para que ninguém pudesse usar isso contra mim. 
- Ora, por favor, Sara, ela é uma pessoa incrível, dê uma chance a ela. - Justin parou mais uma vez, deixando-a falar. - Não estou dizendo isso porque a amo! Você é minha grande amiga, e não sabe o quanto me deixa triste saber que vocês não se dão bem. - a ligação tinha ficado tensa. Cadê as piadinhas internas?, zombei mentalmente, lembrando o quanto ela adorava jogar isso na minha cara sempre que podia. - Quem sabe um dia desses você não fala com ela? É! Anna também é superfã do Justin Timberlake. É um bom pretexto pra iniciar uma conversa! Porque nunca pensei nisso antes, é perfeito! - ele falou como se tivesse tido a ideia do século. Mas nem morta eu perderia meu tempo conversando com aquela criatura. - Me prometa que vai tentar ser amiga dela... - pediu ele a Sara. Cęruzei os braços, dando um pequeno e silencioso passo a frente. - Ótimo, já é um começo. - ele agradeceu, feliz. - Desculpe, mas preciso desligar. Ashley quer fazer um jogo, e como a conheço bem, deve estar me esperando louca da vida. Até a aula. - com uma risada, ele encerrou a ligação. Fiquei onde estava, com os braços ainda cruzados. Graças a luz da lua, vi sua silhueta se virar, o que me fez deduzir que estava virado na minha direção. Quando Justin fechou a porta do quintal, o cômodo ficou em completa escuridão. Ouvi o som de seus passos, e não demorou muito para que ele trombasse em mim. Nada muito forte, é claro. Por isso, permaneci onde estava. Logo, a luz do celular dele estava na direção do meu rosto, para saber onde tinha batido. Justin sorriu aliviado quando me viu, e tratou de tirar aquela luz da minha cara.
- Desculpe, querida, machuquei você? - perguntou doce, com a mão livre fazendo carinho em meu braço. 
- Não, estou bem. - foi tudo o que falei, para não perguntar a ele, aos berros, o que ela dizia do outro lado da linha. Não ia passar pelo papel de louca ciumenta, armar uma cena ridícula de ciúmes. Mas vontade não me faltava.
- O que estava fazendo parada aqui?
- Ashley estava nos deixando loucos com sua demora, ela quer que todos estejam presentes pra começar o jogo maluco dela, então vim até qui pra te chamar. 
- E porque não falou nada?
- Não queria interromper a conversa com sua amiguinha. - pronunciei a última palavra com tanto desdém, com tanto nojo, que só percebi que tinha denunciado meus ciúmes com o som da risada dele. Droga, escapou! Saiu sem querer, juro!
- Já disse que fica uma gracinha com ciúmes? - ele apertou minha bochecha, rindo. 
- Não tenho ciúmes daquela sem sal. - dei de ombros. Ele riu mais uma vez. Droga, de novo?!
- Eu amo você. - Justin juntou nossos lábios em um beijo doce. - E apesar de ficar uma graça com ciúmes, não precisa ficar assim. Sara é apenas minha amiga, e só tenho olhos para você. Onde você acha que vou encontrar uma garota que ponha nome de comida no cachorro, ou que come mais do que pode e continua perfeita? Doida, mas leal, inteligente e linda? Tudo bem que você é anã, mas fazer o que, nem tudo é perfeito. - dei um tapa no seu ombro e ele riu. Ri também. Ele estava certo. Justin estava comigo, não com ela. Não deveria me preocupar.
- Idiota! - ri. - Não sou anã, apenas estou demorando para crescer. E se falar que sou anã, mais uma vez, te chuto o traseiro. - ameacei e Justin beijou minha bochecha. 
- Não encontraria alguém como você nem em um milhão de anos. Principalmente se a baixinha em questão é especialista em chutar traseiros. - ri novamente, e segurei sua mão o guiando para fora da cozinha. Ou tentando fazer isso. Estava tudo muito escuro ali.
- Você realmente não tem amor a sua vida. - resmunguei enquanto andávamos. Ele me apertou contra si, e sua boca estava próxima demais do meu ouvido.
- Será que alguém vai notar se eu roubar você por algumas horas? - sussurrou ele, suas mãos estavam em minha cintura, e sua respiração quente batia no meu pescoço, me deixando arrepiada. Desejei que estivéssemos sozinhos aqui. 
- Tenho certeza que vão. A loira deve estar de cabelos em pé com nossa demora. Podem até estar pensando que estamos nos pegando.
- Podemos realmente nos pegar, para que eles acertem a 'previsão'. - ele pressionou ainda mais seu corpo contra o meu. - Fomos interrompidos, mas agora não me importo em não ver você.
- Não?
- Senti-la será o bastante. - ele deu uma mordidinha na minha orelha, e aquilo foi o bastante. Me virei para ele e beijei sua boca. Sua língua brincava com a minha, enquanto suas mãos tratavam de me apertar ainda mais contra ele. Bagunçava os cabelos de sua nuca, enquanto a outra mão tocava seu rosto, fazendo carinhos. Ele estava com óculos. Ainda nos beijando, andamos até que eu tivesse minhas costas apoiadas na parede. Nossas bocas se separaram, e os beijos dele foram para minha bochecha, depois meu queixo e pescoço. Eram beijos sensuais e maravilhosos. Ele foi descendo cada vez mais, me deixando com mais vontade de "avançar" a cada carícia. Justin beijou meu ombro esquerdo, que estava desnudo e distribuiu carinhos na área próxima dos meus seios. Apertei seus ombros e mordi os lábios, desejando muito mais.  Ele me prendia entre ele e a parede e uma de suas mãos estavam em baixo da minha blusa, e pude sentir minha pele se arrepiar com seu toque.
- CADÊ VOCÊS DOIS, ORA PINÓIA ROSA? - ouvimos o grito da loira, vindo da sala. Justin bufou, mas não parou o que fazia. Nos beijamos mais uma vez. - Se não vierem pra cá, agorinha mesmo, pessoas que me amam, vou até aí.
- Será que dá pra começar sem a gente? Justin está resolvendo o trabalho dele. - falei alto, tentando manter a concentração que me era tirada com facilidade com Justin beijando meu pescoço.
- E você vem, abelhuda? - ela tornou a perguntar.
- Não, eu estou comendo. Encontrei essa delícia maravilhosa enquanto revistava a geladeira, vai ser um pecado deixar essa torta aqui. - menti. Ele beijou meu seio por cima do top. Arfei, adorando aquelas carícias. É claro que era um risco enorme fazermos isso aqui, com todos muito bem acordados, no cômodo do lado. Mas as coisas ficavam muito melhores assim, uma adrenalina danada!
- Tá bom, abelha e jujuba malvada. Mas só vão poder jogar na próxima rodada. 
- Okay. - respondi, pondo fim a conversa. Ele me beijou de novo, e suas mãos agora, deram um apertão nos meus peitos. Já as minhas, desceram até sua calça e apertaram seu membro por cima da calça. Ele se espremeu ainda mais contra mim. - Precisamos ser rápidos, querido. Eles não podem suspeitar de nada. - sussurrei em seu ouvido.
- E ainda por cima, não dá pra ver a calcinha nova que está usando. - reclamou baixo. Tratei de tirar-lhe o cinto e desabotoar a calça jeans. Ele fez o mesmo comigo, porém, descendo-a até metade das coxas. Ele tirou o celular do bolso e ligou a lanterna, e iluminou o lugar que queria. - Calcinha preta, com lacinho vermelho? Aprovadíssimo! - tirei a carteira do seu bolso e peguei a camisinha. Segurei o celular para ele abrir a embalagem e por a proteção em seu devido lugar. Desliguei a lanterna e senti ele abaixar pouco a pouco minha peça íntima, deixando-a também no meio de minhas coxas. Seus dedos fizeram carinho na minha intimidade molhada, e precisei morder os lábios para não gemer. Ouvíamos os outros quarto rindo e conversando, provavelmente jogando o que a loira tinha proposto.
 - Mesmo sem ver, você é maravilhosa, querida. - disse ele no meu ouvido. Segundos depois, o senti entrar em mim devagar, e nos beijamos quando ele tinha entrado por completo. A sensação era maravilhosa. No primeiro minuto ele foi lento, mas a intensidade e a velocidade aumentaram muito rápido. Nos beijávamos o tempo inteiro, para reprimir os gemidos, e o medo de sermos pegos parecia nos dar ainda mais desejo. Tudo que pedia era que a luz demorasse muito a chegar, ou que, desse tempo para que pudéssemos terminar sem que ninguém percebesse.
- Maravilhosa, Anna. Simplesmente maravilhosa. - Justin gemeu no meu ouvido, muito baixo. Abracei-o ainda mais forte, e segundos mais tarde, meu corpo estava e êxtase. Depois, Justin também tinha chegado ao seu ápice. Nossas respirações eram rápidas e descompassadas e meu nerd apoiou a cabeça na curva do meu ombro. Mesmo sobre a roupa, podia senti o coração dele bater rápido; o meu não estava muito diferente. 
- Amo você. - sussurrou ele.
- Eu também, querido. - respondi do mesmo jeito. Ele ainda estava em mim, e tremia um pouco. - Vamos nos arrumar e sair um de cada vez, para que ninguém suspeite. Caso eles perguntem alguma coisa, é só concordar com tudo que eu falar.
- Tudo bem, mas espere um pouco. Estou acabado. - disse ele, e ri baixo.
[...]
- Já enjoei desse jogo, loira. - reclamou Cait, sentada no chão. Formávamos um círculo perto da lareira. Tomei outra colherada de sorvete, morta de fome, depois das minhas travessuras com Justin na cozinha.
- Resolveu o problema, Jujubona que me ama? - perguntou a loira. Justin deu de ombros.
- Ainda não, falta acertar o ritmo, terminar o refrão e essas coisas. E também não dava pra me concentrar com Anna Mel falando o tempo inteiro o quanto aquela torta era maravilhosa. - dei um murro de leve no seu ombro pra sustentar aquela mentirinha cabeluda. Até agora, ele estava indo muito bem.
- Hey, não posso fazer nada a respeito! Não tenho culpa se a comida me chama, bolas! Você é nerd e deveria ter feito o trabalho há muito tempo. - devolvi, segurando com todas as forças a vontade de rir. Tinha certeza que ele estava na mesma situação.
- Que tal brincarmos de Eu Nunca? - sugeriu Caitlin, animada. Justin e eu trocamos olhares disfarçadamente, nervosos com aquela sugestão. Será que eles suspeitavam do que tínhamos feito? Damon encheu uns copinhos pequenos de vidro com uísque, e quando terminou, deixou a garrafa sobre a mesa.
- Tá, minha pessoa maravilhosa começa. - disse a loira. - Eu Nunca afanei esmaltes alheios. - Caitlin pegou seu copinho e bebeu tudo em uma só golada. - Ahá! Eu sabia que foi você que pegou meu esmalte de glitter rosa! - disse Ashley, fazendo a dancinha da vitória sentada.
- Eu Nunca enchi a cara por ciúmes ou desilusão amorosa. - falou Damon bebendo seu drink. Em seguida, Justin e Mike acompanharam-no.
- Quando foi que você encheu a cara por ciúmes ou desilusão amorosa? - perguntei curiosa para Justin.
- Naquela festa da escola, no segundo ano, quando você disse que estavam armando pra me humilhar na frente de todo mundo, sabe? Fiquei tão triste, pensando que você tinha armado pra mim, que tinha ajudado eles, que enchi a cara pela primeira vez na vida. Foi quando conheci Collin. E também quando tive que humilhar você na sua festa de aniversário pra proteger você da megera loira da Britney.- explicou ele.
- E você, Mike? - perguntei.
- Tem uma garota que está me deixando de cabelos em pé. - foi tudo que respondeu. Ele e Cait ainda não se resolveram? Preciso falar com ele depois.
- Damon? - me dirigi ao meu amigo.
- Quando terminei com você...
- Mas, pera, pensei que tava tudo bem pra os dois terminar, e...
- Eu sei, Anna. Estava tudo bem. - ele me interrompeu, calmo. - Mas quando a ficha caiu, e percebi que realmente tinha acabado, foi difícil. Mas tudo deu certo, no fim das contas. A outra vez que fiquei bêbado, foi porque estava morrendo de ciúmes dessa loira aqui, - Damon apontou para Ashley, que estava ao seu lado. - E o namoradinho idiota que ela estava arrumando. Me deu uma dor de cabeça, viu, moça?- dessa vez, ele falava com ela, que riu.
- Tudo bem, xuxu, amo só você. - ela riu, vermelhinha.
- "Xuxu"? Não me chama disso na frente dos outros, loira. - reclamou, e mesmo assim foi amável com ela. Ele encheu os copinhos vazios para mais uma rodada.
- Eu Nunca Nunca Nunca roubei a comida dos outros. - eu sabia que aquele jogo seria perfeito para descobrir quem estava afanando minha comida, mas, fiquei surpresa ao ver todos virando seus drinks de uma só vez.
- Mas oi? - perguntei espantada. - Todos vocês estavam comendo minha comida? Vai todo mundo levar chutes no traseiro! - disse. - Mas só quando não estiver com tanta preguiça.
- Tenho uma bem legal! - falou Justin, animado. - Eu Nunca confundi geometria espacial com geometria plana. - ele sorriu e todos nós bebemos, menos ele, óbvio. Ele ria como idiota. Tá legal, foi fofo. - Como vocês podem confundir esses dois assuntos? 
- Pra começo de história, nem sabiamos que tinha diferença! - Damon defendeu todos nós.
- Eu Nunca Nunca Nunca saí beijando todos, só por estar com vontade. - disse Cait.
- Eu Nunca Nunca Nunca deixei alguém confuso sobre meus sentimentos. - rebateu meu irmão. 
- Eu Nunca Nunca Nunca...
- Se for pra terem briga de casal, é melhor irem pra um quarto. - Damon interrompeu a fala de Caitlin.
- Não estamos tendo uma briga de casal! - eles protestaram ao mesmo tempo. Revirei os olhos.  
- Acho melhor jogarmos outra coisa. - sugeriu Justin, tentando tirar a tensão que tinha se instalado na sala.
- Pode ser banco imobiliário. - sugeriu a loira. - Mas não quero ir até o sótão pra procurar. Tá escuro.
- Porque o jogo está lá? - perguntei confusa.
- Ué, ninguém estava usando, então guardei lá. Cê pega pra mim, abelhuda? - eu até diria que não, mas ela estava fazendo aquela carinha fofa de sempre, pra me convencer a ir. Pior que ela conseguiu me convencer. Fofinha demais, fazer o quê? Levantei do chão antes que desistisse.
- Quer que eu vá com você, querida? - Justin perguntou, me olhando de onde estava sentado.
- Não precisa, voltarei logo, obrigada. Mas preciso da lanterna do seu celular, o meu descarregou.
- Tudo bem. - concordou ele, sorrindo.
[...]
- Onde será que ela pôs essa porcaria? - reclamei, perdida no meio de tanta coisa velha. 
  A única fonte de luz vinha do celular de Justin, o que não ajudava muito, mas que também era melhor que nada. Tentei ir até umas caixas, quando ouvi a porta bater atrás de mim. Assustada, virei rápido na direção do barulho, mas não tinha ninguém lá. Tudo bem, Anna, não foi nada de mais; disse em pensamentos, tentando me acalmar. Nem sou medrosa, né?
  Andei até a porta e girei a maçaneta. Nada! Fiz isso mais duas ou três vezes, mesmo sabendo que a porta estava trancada. 
 -Pra onde vai tão rápido, Anna Mel? Está tudo bem. - meu coração bateu mais rápido quando virei para trás e vi Kate, parada ali, com aquele sorriso sarcástico de sempre.
- Kate?
- E conhece outra? - ela riu. - Soube da sua pequena briguinha hoje com o nerd.
- Não foi uma briga... Espera, como você sabe disso? - perguntei curiosa e assustada.
- Se eu fosse você, tomaria muito cuidado com essa tal de Sara. - sugeriu. - É o celular dele, não é? - perguntou, apontando para o aparelho na minha mão.
- É, porquê?
- Conselho de amiga? Leia as mensagens dele. Veja as fotos, os videos. Não é porque ele é nerd, que é um santo.
- Está sugerindo que Justin é infiel? 
- Só estou dizendo pra ter cuidado, mas se quer minha opinião, talvez seja, sim. - Kate deu de ombros.
- Não acredito em você. Eu confio nele. Você não vai me fazer questionar a fidelidade do meu garoto.
- Não vou, porque você vai acabar fazendo isso sozinha. Mais cedo ou mais tarde. Só achei que seria melhor te avisar antes de acontecer, afinal, é pra isso que servem as amigas.
- Não somos amigas. - rebati.
- Já fomos um dia. - ela deu de ombros. - Depois não diga que não avisei.
- Cale a boca, sua cobra mentirosa! - falei firme e ela obedeceu. Meu coração batia tão forte que poderia sair do meu peito. Eu não poderia me deixar envenenar por ela. Justin não faria isso. Só de pensar na hipótese dele me trair, partia meu coração. - Saia da minha casa, da minha vida! Não torne a me perturbar mais. - disse respirando fundo e fechando os olhos para impedir as lágrimas de cair. Quando os abri, novamente, Kate não estava mais lá. 
  Me apoiei na porta, fazendo o possível para esquecer o que ela tinha dito. O celular dele estava em minhas mãos, e nada me impedia de ver se realmente tinha algo que o incriminasse. Mas aquilo não seria justo, eu iria violar a privacidade dele e Justin confiava em mim. Se eu olhasse, porém, poderia acabar com essa dúvida de uma vez. Mas eu não poderia deixá-la por dúvidas. E até porque ele não me deixaria sozinha com seu celular se tivesse algo que não quisesse que eu visse. E se deixasse, seria muito burro.
- Eu confio nele, Justin me ama e não há motivos para desconfianças. - falei baixo olhando para o celular. 
  Ouvi meus amigos gritarem no andar de baixo e de repente um clarão preencheu o sótão: a energia tinha voltado. Suspirei aliviada. Desliguei a lanterna e, segundos depois, ouvi batidas na porta. Olhando na direção dela, vi que um apoio para papéis impedia que a porta se abrisse. Não sabia como aquilo tinha parado ali, percebendo que esse foi o impecílio quando as luzes estavam apagadas. Tirei aquilo dali e deixei a passagem aberta. Justin entrou sorrindo, e aquilo me fez sorrir.
- O que está fazendo aqui? - perguntei lhe devolvendo o celular.
- Esqueça o jogo. Vamos assistir um filme e Damon está pedindo pizza. - ele riu, e de repente, esqueci tudo que Kate tinha dito. O sorriso dele, aquele sorriso inocente e lindo que eu amava estava ali e me senti idiota por cogitar desconfiar dele. Por deixar fazer Kate transformar um ciúme em algo maior, algo que nem existia. - E acho melhor e vir logo enquanto ele pede...
- Damon é quem está escolhendo? Como pode isso? - perguntei espantada e o puxei pela mão para fora, sem me preocupar em fechar a porta. Ele riu enquanto me acompanhava. Aquilo foi o suficiente.


NOTAS FINAIS
Oie povo! Eu ia postar no domingo, mas eu tinha que estudar pra prova de hoje e tenho essa semana toda de provas, mas vou tentar postar logo. Gostaram do cap? Ficou bom? Espero que tenham curtido. Beijos e até o próximo :D

29 de ago de 2014

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 12 - Blackout parte 1

POV ANNA
- Olha, eu sei que dá trabalho, aliás, que deu trabalho pra encontrar isso, mas eu acho que cê errou em alguma coisa aí. - comentei, sentada ao lado de Cailin, levando um doritos a boca. Ela tinha o macbook sobre o colo, fazendo a parte dela em nosso trabalho em grupo. Como eu já tinha feito minha parte logo no primeiro dia em que o professor passou o seminário - viu, só, Justin, sinta orgulho, estou estudiosa -, aproveitava o momento livre para devorar uma bela e maravilhosa rosquinha. Nós estávamos no mesmo lugar onde encontrei Justin escrevendo uma canção, e onde também Collin nos encontrou e resolveu parar para conversar. Minha amiga respirou fundo, ainda olhando pra tela.
- No que foi que errei, agora? Quero dizer, onde é que você está vendo o erro? - perguntou ela.  Faziam exatamente dois dias desde que fomos jogar boliche, era uma bela quarta feira, mas isso não pareceu afetar em nada no humor da minha amiga. Acho que ela andou brigando com Mike, e hoje apareceu no intervalo das aulas com uma garota a tira colo. Ele estava chateado com ela - por algum motivo que não sei - e ela estava, mais do que claramente, com ciúmes do meu irmão. Ela tentava disfarçar, mas não dava muito certo. Penso que ela ainda não admitiu para si mesma que está com ciúmes.
- O que houve entre vocês? - perguntei, sem mais delongas.
- Hein?
- Não sou idiota, Cait, o que tá havendo entre vocês? E pro caso de querer dar uma de "do que está falando", é sobre você e Mike. - ser mais direta do que aquilo era impossível. Porque eles não ficavam logo juntos? Mas que presunto!
- Não esta acontecendo nada. - me olhou.
- Eu sei reconhecer uma mentira cabeluda quando me vejo uma. Desembucha.
- Eu só estou preocupada com ele, okay? - se defendeu. - Não é legal ficar saindo com qualquer uma, só porque é bonito e tem que satisfazer o ego. Quero dizer, ele vai parecer desesperado por uma namorada. Isso não faz bem pra ele, sabe?
- Não faz bem pra ele ou não faz bem pra você? - perguntei arqueando a sobrancelha. Tá com medo da concorrência, é?!, preguntei mentalmente.
- Como?- questionou, engolindo em seco.
- Vocês tem a minha bênção.
- O que? - arregalou os olhos, assustada. - Não, Anna! Eu não estou apaixonada por ele ou algo parecido. E, além do mais, ele é seu irmão, e você é minha melhor amiga. Simplesmente não rola. - falou rápido, o que me fez ir. - Até porque, somos apenas bons amigos.
- Não precisa fingir pra mim, Caitlin. E idaí que ele é meu irmão e você é minha melhor amiga? Não há nada de mau nisso, vocês se gostam, e adoro saber que o meu irmão bobão vai ter alguém pra cuidar dele e amar. - falei sorrindo. - E claro, me ajudar a roubar a comida dele e todas essas coisinhas.
- Endoidou o cabeção? - perguntou com os olhos arregalados. - Eu hein? Cada doido com suas manias. - ela deixou o computador do meu lado e levantou da grama, limpando o traseiro. Dei de ombros.
- Sabe que não adianta em nada tentar esconder esse tipo de coisa de mim, não é? - perguntei, pondo o computador no meu colo. - Até porque tá bem na cara que ele gosta de você também.
- É claro que não. - respondeu ela, tentando fazer o tipo de "não ligo", mas, ainda sim, pude captar um tom de quem quer saber mais. - Quer dizer, porque você acha que ele gosta de mim? Como tem tanta certeza? - por já esperar que ela perguntasse exatamente aquilo, eu ri.
- Uma das coisas que faço melhor do que comer, minha cara, é saber quando algo maior do que um 'clima' entre duas pessoas está surgindo. - dei de ombros, fazendo aquela pausa dramática que tanto gostava. - Mas só falei pra deixar ao menos um de vocês cientes que tem todo meu apoio, e se não estão juntos ainda, por minha causa, esqueçam isso.
- Hein? - Caitlin não sabia como agir, pelo simples fato de eu ter 'desmascarado-a' sem que ela tivesse tempo de se preparar. Se Mike e Cait não fossem tão frescos, com essa de 'não devo ficar com você" seriam fofos.
- Ah, me trás uma caixa bento? Obrigada. - agradeci antes mesmo dela dizer qualquer coisa.
- O que é uma caixa bento? - o tom de sua pergunta deixa claro que ela me achava doida.
- É assim que embalam sushi pra viagem. - expliquei e fiquei feliz quando ela finalmente entendeu.
- E porque está adicionando coisas na minha parte da pesquisa? - perguntou ela, curiosa.
- Vou ajudar você, já que não tenho nada melhor pra fazer com meu quase abundante tempo livre. - ela fez careta, e eu ri mais uma vez. - Brincadeirinha.
- Sua palhaça! - ralhou, para depois sorrir. - Volto logo.
  Enquanto ela saia, dei uma olhada básica no que ela escrevia. Como sempre, Cait tinha começado certo e se perdido no meio do caminho, saindo o foco do assunto principal. Arrumei o notbook melhor ao colo e comecei a digitar do ponto em que o trabalho ainda 'valia a pena', por assim dizer.
- Seria ousadia perguntar o que você está fazendo aqui? - quando reconheci o rosto de quem falou, o garoto já estava sentado do meu lado.
- Tenho esse tempo livre, John. - respondi, com um sorriso simpático. Eu não o conhecia bem, na verdade. Ele era amigo de Justin, não meu. - E o que você está fazendo aqui?
- Não estou muito na vibe de assistir aulas, se me entende. - deu de ombros, bebendo uma cerveja, cuja garrafa reparei apenas agora. - Você quer um golinho?
- Não, obrigada. - recusei, certa de que foi uma decisão correta. Para ser sincera, de alguma forma, não confiava nele. - Porque não está gostando da universidade? - perguntei curiosa, mesmo não gostando da companhia dele.
- Tem um grupinho chato de manés metidos a besta na minha turma. Bati em um deles hoje de manhã, que era amigo de uma tal de Emilly. Se não tivessem me impedido, teria acabado com aquele idiota.
- Emília. - corrigi. - Bem vindo ao nosso mundo. - dei de ombros. - Ela adora atormentar os outros, principalmente depois de Angelina, outra amiga dela, morrer. É assim desde que chegamos aqui.
- Eles, esse grupinho de idiotas, atormentam a você também? - questionou, curioso. Não gostava do jeito como seus olhos castanhos não desgrudavam dos meus.
- Mas do que possa imaginar. - fui sincera, no final das contas. - Era pior quando Angelina estava aqui. Ela adorava nos atormentar. Não só a mim ou meus amigos, mas também o resto do pessoal que estuda aqui. Mas graças a Deus isso acabou. - sorri.
- No fim das contas, Emília é menos aterrorizante do que a tal de Angelina. - ele concluiu por mim. - Justin me contou que ela era horrorosa. Que todos tinham medo dela.
- É verdade. - assenti.
- Você tinha medo dela?
- Hein? - me senti encurralada com aquela pergunta. Era como se ele pudesse adivinhar que eu tinha medo. E eu tinha medo. Tinha muito medo dela. Mas não queria admitir. - Não sei, John. Na maior parte do tempo, eu só podia sentir ódio dela. - respondi por fim, me livrando de dizer a verdade, mas sem mentir. Eu a odiava o tempo todo, também.
- Então foi legal ela ter morrido. - concordou ele, bebendo mais um pouco de sua cerveja. Era como se estivesse vendo um reflexo de mim mesma falando aquilo, feliz pela morte de outra pessoa, e percebi o quão horrível aquilo era. E fiquei surpresa ao ver que não tinha ficado feliz por alguém ter a mesma opinião que eu. - Foi um alívio para todos nós, então. Pois se a conhecesse, e se ela fosse realmente como todos vocês dizem, eu mesmo a mataria. - John deu uma risada alta. Fiquei horrorizada com aquilo. E aquilo bastou para que entendesse o que Justin queria dizer com "você está sendo cruel, Anna". - Você e Justin são um casal legal.
- Obrigada. - sorri forçado, ao perceber o quão rápido ele tinha mudado de assunto. Me perguntei se ele era assim na companhia de Justin.
- Vocês se conheceram aqui ou em outro lugar? - sua curiosidade sobre meu relacionamento com Justin não me deixou confortável.
- Nos conhecemos desde os onze anos de idade. Mas, claro, só ficamos juntos depois disso. - sorri aliviada ao ouvir a voz de Justin. Ele sentou do meu outro lado e beijou minha bochecha. - Tempos maravilhosos, cara. Maravilhosos!
- Posso imaginar que sim. - John sorriu.
- Cait virá nos trazer uma caixa bento. - falei, olhando pra Justin. - Você quer?
- Caixa bento? - perguntou o moreno, confuso.
- Sushi. - Justin respondeu por mim. - É assim que eles embalam o sushi pra viagem. É muito bom, você deveria provar. - fiquei nervosa só de imaginar dividir minha comida com John. Eu ofereci a Justin, e não ao moreno bonitão.
- Ah, aqueles trecos de peixe cru? Não, muitíssimo obrigado.- recusou-se e fiquei feliz por isso.  Justin apenas riu. - Gosto muito mais das coisas quando estão bem fritas.
- Não sabe o que está perdendo. - Justin rebateu. - Tempo vago? - se dirigiu a mim.
- Sim, e você já foi liberado da aula?  ele balançou a cabeça, afirmando.
- Não acredito que você está bebendo durante as aulas. - disse Justin, apontando para a garrafa já quase vazia nas mãos do amigo.
- Cara, esse líquido aqui salva minha vida. - John riu, dando um último gole na cerveja. - Eu pensei que ia gostar daqui, mas estava enganado. Só suporto este lugar por causa de vocês.
- É bom saber disso. - falou Justin.
- Mas, voltando ao sushi, como é que vocês conseguem comer segurando aqueles pauzinhos? Não escorrega, não? - aquela foi a primeira vez que ele me fez rir de verdade. Perto de Justin, até que ele era legal.
[...]
- Ainda tem essa gaveta aí, pra arrumar. - falei, apontando para a primeira gaveta da direita.
- Essa aqui?
- Essa mesmo. - concordei, com um aceno de cabeça. Era uma bela noite, depois de um dia cansativo de estudos na faculdade. Conversamos com John naquele jardim por um longo tempo, e ele se mostrou mais legal do que quando estávamos apenas nós dois. Agora, depois do jantar, dei a Justin a tarefa de organizar meu closet. Sentada em um banquinho, observava-o e dava instruções de como ele deveria fazer as coisas. Amora estava sentada perto dos meus pés, e eu comia minhas batatinhas onduladas.
- Ual! Porque eu nunca descobri isso antes? - ouvi ele murmurar. Quando Justin se virou para mim, tinha em mãos uma calcinha roxa. Estava tão concentrada na comida que eu devorava com fervor que esqueci completamente que a gaveta que mandei ele arrumar, era, exatamente, a gaveta de calcinhas. - Lembro dessa. - disse ele, sorrindo. - Muito sensual. - andei até ele e puxei a peça de suas mãos com minha outra mão livre.
- Deixe de ser bobo. - reclamei, envergonhada. - Não precisa arrumar isso, está dispensado.
- Não, querida, agora faço questão de concluir meu trabalho. - ele tirou todas as peças , e quando as colocou novamente em seu lugar de forma organizada, separou-as em quatro pilhas:
1) As que apenas a vi usar;
2) As que não apenas a vi usar, mas como também tirei de seu corpo;
3) As que não fazia ideia da existência.
4) As suas favoritas
  A terceira pilha, obviamente, era bem menor do que as outras. Ele fazia pequenos comentários a cada uma que pegava, colocando-as em suas pilhas. No começo foi estranho ter meu namorado arrumando minha gaveta de peças íntimas, mas depois, aquilo se tornou engraçado. As coisas que ele falava, as caras e bocas que fazia, o jeito como falava que a terceira pilha, faria, em breve, parte da segunda. Fiquei ao seu lado, supervisionando tudo, e rindo da cara dele, como não poderia deixar de ser.
- Quando foi que você comprou essa? Nunca vi você com ela. - disse outra vez, com uma calcinha de renda azul escuro. Ele parecia quase indignado. - Em breve, esta partirá para a pilha dois.
- Você é muito idiota! - ri daquilo, terminando de comer minhas batatas onduladas. Joguei o saco vazio no lixo e voltei para o closet. Ele segurava outra peça em sua mão, e sorria orgulhoso quando fiquei novamente ao seu lado.
- Essa é memorável! - disse, tocando-a. - Me faz lembrar do quão louco me deixou nesse dia com essa calcinha vermelha. Lembro como se tivesse acabado de acontecer. E, apesar de ter vestido bem em você, ainda te prefiro sem ela. - dei um tapa na cabeça dele, que riu. - Mas ainda sim, vai pra pilha quatro.
  O clima estava esquentando entre nós, era claro. Mas eu ainda não conseguia deixar de pensar no quanto me senti irritada com a presença do amigo de Justin, hoje de manhã. Ele parecia ser legal, mas tinha algo nos olhos dele que me faziam querer vomitar. Talvez fosse pelo falo dele ser parecido com Frad em alguns aspectos, ou até mesmo na aparência, mas o jeito dele me incomodava. Ele me incomodava. Eu só não sabia como dizer para Justin, sem dar a entender que adoraria se ele se afastasse desse cara. Eu não sabia se era uma cisma boba, por simplesmente não ir com a cara dele, ou se ele realmente era quem eu suspeitava. Tentei esquecer aquilo e me concentrar no presente, meu namorado e no clima que estava surgindo.
- Tem mais alguma que eu ainda não tenha visto? - ele se virou para mim, e percebi que ele já tinha organizado tudo. Tinha alguma coisa a mais ali. Um sorriso safado cresceu em seus lábios e entendi perfeitamente onde ele queria chegar. Ele tirou os óculos e chegou mais perto, me segurando pela cintura.
- Na verdade tem uma. - respondi baixo o suficiente para soar sexy.
- Tem, é? - rebateu ele, o rosto ficando mais perto do meu.
- Tem sim. E pra sua sorte, estou usando nesse exato momento. - mordi os lábios, encarando seus olhos castanhos arderem de desejo. Quando dei por mim, ele tinha me pressionado contra a parede do closet, esfregando seu membro duro exatamente no meio das minhas pernas. Sua boca estava agora em meu ouvido, e sussurrou as palavras seguintes de maneira tão sexy que pensei que não poderia esperar mais.
- Então vamos mudar isso. Ele tomou meus lábios em um beijo sexy, que rapidamente foi correspondido por mim. Nossa felicidade, porém, não durou muito. Quando sua mão avançava para dentro da minha blusa, as luzes se apagaram como se as lâmpadas tivessem queimado. Amora começou a latir, assustada, e logo nos separamos. Consegui achar minha cachorrinha, me guiando pelos latidos estridentes dela. Peguei-a no colo, e fiz carinho em seu pelo com a mão livre.
- Anna? - ouvi Justin me chamar.
- Aqui, querido, perto da porta. - respondi alto, para não ter dúvidas de que ele me ouviria. Ele tropeçou algumas vezes antes de tocar meu braço.
- PUTA MERDA, PORQUE SEMPRE COMIGO? - ouvi meu irmão gritar de raiva, o que dava a entender que tinha caído da escada; de novo.
- SE ALGUÉM SE ATREVER A AFANAR MEUS NOVOS ESMALTES COR DE ROSA COM GLITTER EU MATO! - Ashley gritou logo em seguida. Ri dos dois bobos que gritavam, percebendo que a casa inteira estava sem energia.
- Seu celular tem alguma lanterna? - perguntou Justin, já tirando (possivelmente) o seu do bolso da calça. Tive certeza disso, quando uma luzinha branca e fraca iluminou um pouco o cômodo. - Porque justo na parte boa, a luz acaba desse jeito? Não dá pra me concentrar direito com seres caindo da escada e loiras gritando para não afanarem os esmaltes dela. - reclamou ele, insatisfeito.
- Pessoal, venham para a sala agora para ouvir um comunicado urgente! - Damon berrava do andar de baixo, convocando-nos para uma reunião de grupo. Sem escolhas, saímos do meu quarto sendo guiados pela luz da lanterna do celular de Justin, e fiquei feliz ao ver a lareira acesa, o fogo crepitando agradavelmente, nos aquecendo e concedendo um pouco mais de luz. Cait, Ashley, Mike e Damon estavam sentados no sofá maior, a nossa espera.
- Se alguém tentar afanar alguma comida minha, eu deixo sem traseiro. - adiverti, sentando na poltrona restante. Justin sentou no braço desta, e apoiei meu braço em suas pernas.
- Eu liguei pra companhia de luz, e todo o quarteirão está sem energia. E enquanto eles tentam resolver o problema, temos que esperar. - disse Damon, por fim.
- Tenho uma ideia fabulosa do que podemos fazer pra passar o tempo! - a sugestão de Ashley fez todos os restantes trocarem olhares assustados. Oh Céus!


NOTAS FINAIS
Olá meu povo! Aqui estou eu, de novo, depois de um tempão sem atualizar. Como estão? Cara, será que alguém ainda lê isso aqui? Enfim, espero que tenham gostado do capítulo. Beijos e até o próximo! :D :3
Roupa da Ash: http://weheartit.com/entry/81047750/in-set/13959417-my-dear-nerd?context_user=cutelectra&page=22
Roupa da Cait: http://data3.whicdn.com/images/78542395/large.png
Roupa da Anna: http://data1.whicdn.com/images/82247634/large.jpg

2 de ago de 2014

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 11 - Noite de Boliche

POV ANNA
- Anna Mel, já chega de Doritos por hoje! - mamãe ordenou, parando a minha frente no sofá, me olhando de cima com aquele olhar acusador. Fiz bico, abraçando meus pacotes (sim, pacotes no plural), de modo a protegê-los dela.
- Mãe, qual é! - reclamei em protesto. Lá estava eu, feliz da vida, comendo Doritos e assistindo meus programas de culinária, e do nada, ela aparece reclamando e dizendo que eu deveria parar de comer e assistir tevê; sabe, ter uma vida tão sedentária. - São apenas nove da manhã! As aulas foram suspensas por causa da reunião de pais e professores e, aqui estou eu: aproveitando essa folguinha maravilhosa para ser feliz.
- É sobre isso mesmo que quero falar, mocinha. - disse ela. Quando entendi, finalmente, percebi que era sobre a escola. Mais precisamente as minhas notas. Tentei fugir do assunto mais uma vez, como sempre fazia. Tinha me esquecido da importância desse dia, e de como deveria ter feito algo que a agradasse tanto, que ela não chegasse a reclamar sobre as minhas notas e ameaçar tirar minha comida e meus programas de culinária. - Eu entendo perfeitamente, mamãe! - comecei, fingindo entendê-la. - Mike está me dando um péssimo exemplo, mais uma vez, com essas notas baixas e...
- Quem foi que tirou notas baixas? - o meu irmão entrou de repente na sala, ao ouvir a menção de seu nome. Batatas Fritas!
- Anna está tentando acusar você de tirar notas baixas para que não seja ela, o alvo da discussão. - respondeu Rose, minha mãe, sem tirar os olhos de mim. Eu realmente deveria mudar minha tática de distração, pensei.
- Ahá, se ferrou bonito! - Mike riu da minha cara, uma bela e irritante gargalhada.
- Cala a boca, idiota!
- Mas oi? - ele parou de repente, ao perceber o insulto. - Idiota é uma pinóia!
- Calem a boca, vocês dois! - mamãe falou mais alto, e assim fizemos. - Como é que você tirou uma nota dessas em matemática, Anna Mel?
- Eu sou péssima em matemática! - quase berrei em aflição. - Pronto, falei.
- Pressinto que alguém vai ficar de castigo. - cantarolou, Mike.
- Já disse pra calar a boca, bobão! - reclamei, mas ele pouco se importou.
- Que você é péssima em matemática eu sei, sua nota diz isso muito bem sozinha. - ela falou, e suspirou em seguida. - Porque...
- Eu simplesmente não consigo entender Batatas Fritas do que o professor fala, por mais que eu tente. Já fui estudar com a Ashley, Britney e Kate várias vezes, mas eu não consigo aprender.
- E como foi que elas passaram na prova? - questionou meu irmão. - Kate e Britney? - bom, ele não incluiu Ashley porque ela também tirou a mesma nota que eu.
- Elas tem uma incrível facilidade para colar, que você não faz ideia! - respondi irônica. Era verdade que elas colavam, e que eu não conseguia aprender a matéria, mas eu não podia dizer a minha mãe, algo como: "mamãe, me desculpe, mas sua filha de quatorze anos não aprende, porque não consegue parar de pensar no bonitão, gentil e simpático Damon Salvatore."
- Não pense em fazer o que elas fazem, entendeu? - mamãe voltou a falar. - Não importa a nota que tire, com tanto que seja honesta.
- Sim, mãe. - concordei. Mas sabendo que, um dia iria colar. Todo estudante passa por isso, pelo menos uma vez na vida. Bem, isso segundo Kate.
- Dessa vez será apenas um aviso. Na próxima vez quero uma nota muito melhor do que essa, então, acho bom você estudar bastante. - ela sorriu doce e com o alívio afrouxei o abraço que dei na minha comida. Até me dar conta de que meu irmão estava lá, na sala, e tornei a apertar o abraço em minha comida de forma protetora.
- Ué, não vai ter castigo, choro, canal de culinária com senha, a doida da minha irmã sem Doritos? - perguntou Mike, sem acreditar no que acontecia. Ri daquilo, vitoriosa.
- É isso aí! Não vou ficar de castigo. - falei sorridente, enfiando mais um Doritos na boca.
- Mamãe?!
- É isso mesmo, querido. - respondeu, achando engraçado a cara de horror que ele fazia. - Ah, meus parabéns pelas notas excelentes, querido! Estou muito orgulhosa de você.
- Obrigada, mamãe. - respondeu, ainda atônito. - Mas você não vai castigar ela? Nem sequer tomar esses pacotes de Doritos que ela está comendo?
- Não.
- Isso é um ultraje! - falou, erguendo as mãos em protesto. Ele caminhou em direção á porta da sala de estar, para sair de casa. - Um absurdo, um completo absurdo! Minha mãe com certeza foi abduzida por um alienígena! - ele falava, como se estivesse fazendo um discurso. - Este mundo está perdido, está sim! - rimos dele quando fechou a porta. Fiquei surpresa por me dar conta de que ele era o único idiota, tipo, idiota mesmo, que eu amava, enquanto sentia mamãe beijar minha testa.
- ABELHAAAAAA! - um grito fino me tirou do devaneio como se tivesse acordado com um balde de água fria.
- Hein?
- Estávamos te chamando há anos, mulher! Que indelicadeza a sua, me fazer gritar e por risco a minha beleza. - disse a loira, cruzando os braços. - Tava pensando em quê? - perguntou.
- Na receita que aprendi na internet. - menti, mas pareci muito convincente.
- Caitlin, você mal tocou no seu pudim. - falou meu irmão. Ela deu de ombros, tentando espantar a preguiça.
- Não gosto de pudim...
- Não gosta de pudim? - todos perguntamos ao mesmo tempo, assustados com aquela afirmação. Antes que alguém pudesse se apoderar daquela comida, puxei o prato para mim na mesma hora que todos, TODOS, fizessem o mesmo; acabaram agarrando as mãos uns dos outros no meio da confusão, ou as batendo no balção de mármore, enquanto eu estava feliz demais com o meu pudim recém adquirido. Pararam de brigar quando me viram com o prato.
- Querida?
- Sim, Justin?
- Você me ama? - perguntou ele.
- Sim.
- Então divide o pudim comigo? - chegou mais perto, sorrindo e tentando me convencer. Interesseiro.
- Nem com a mulesta do cachorro doido! - quando percebi, tinha falado em português.
- Hein? - perguntou Justin, ainda esperançoso. - O que foi que você disse?
- Nem que chovessem vacas, ou o leite de vacas. - respondi em inglês, para seu desapontamento. Você pode ser fofo, lindo e sedutor o quanto quiser, mas não pode ser mais sedutor e lindo do que esse pudim aqui, meu irmão!, pensei.
- Mas é claro que se chovesse leite, seria o leite de vaca. - Mike ironizou, desapontando por não ter sido ele o sortudo a ter pego o pudim. E olha que ele estava sentado do lado de Caitlin.
- Vacas não são as únicas a dar leite. - disse Cait, pensando. - Tem as cabras também.
- As cabras dão leite, gente? - foi a vez de Damon questionar, confuso.
- O que importa é que é leite. - falei, com a boca cheia. O pudim acabou mais rápido do que o planejado.
- O que acham, pessoas que me amam mais do que tudo nesse mundinho, de irmos ao boliche? - sugeriu a loira, de repente. - Não é porque é uma terrível noite de segunda feira, terrível apenas por ser segunda feira, que devemos ficar enfurnados em casa, fazendo trabalhos de escola e cansando minha beleza.
- É faculda... Ah, deixa pra lá. - Justin desistiu da correção no meio do caminho.
- Na verdade foi o Damon quem disse que tinha um lugar que dava pra jogar boliche aqui perto, e achei que seria legal a gente ir. Minha beleza precisa ser vista e admirada.
- Só se me comprarem comida.
- Mas você acabou de jantar! - disse Caitlin, de olhos arregalados.
- Você não viu nada. - Justin e Mike disseram ao mesmo tempo, e riram logo em seguida. Gente doida, viu?!
[...]
- Para de reclamar, loira. - Caitlin falou, tentando manter a calma.
- Como é que não tinham sapatos cor de rosa? Que irresponsabilidade é essa? - perguntou ela, pela milésima vez quando sentamos numa mesa de frente pra pista de boliche. Deixei minha mochila abastecida com muita comida (sabe, em caso de emergência) e sentei na cadeira mais próxima que encontrei. - Isso é um ultraje! Uma vergooooonha! - dizia ela, balançando as mãos, zangada. E ficou ainda mais furiosa quando ouviu as risadas do grupo. - Porque vocês estão rindo tanto? Se for de mim é melhor pararem, porque não tem graça. - fez bico e cruzou os braços em seguida. Justin sentou ao meu lado e vi Damon dar um beijinho carinhoso na namorada. Ashley usava sapatos maiores do que seus pés, e ela andava tão engraçado, com medo de cair, que aquilo foi uma atração a parte.
- Para o jogo ficar mais interessante, vamos fazer umas apostas. - propôs Damon, animado.
- Com tanto que eu receba minha comida. - dei de ombros.
- Que tipo de aposta seria? - perguntou Justin, curioso.
- A de quem me admira mais? - a loira falou, de repente, menos irritada. Muito fofa.
- Não. - a resposta de todos nós, juntos, fez com que os lábios dela formassem um biquinho. Bico de quem não está: gostando nada, nada.
- Já que estamos em seis, três homens e três mulheres; - Damon deu uma boa olhada de cima a baixo na loira, e deu aquele sorriso malicioso que eu conhecia bem. Uma rosquinha... - três belíssimas mulheres. - ela sorriu cúmplice, dando até uma piscadinha. Ele riu. Duas rosquinhas... - E podemos competir assim: Homens x Mulheres.
- E vocês ainda acham que vão vencer? - perguntei tão simples, que só depois de alguns segundos percebi que eles me encaravam. - É óbvio que vamos vencer, principalmente desses três bobões. - continuei, cheia de confiança.
- Hey! - reclamou Justin. - Bobão uma pinóia!
- Essa frase é minha, cara. - advertiu Mike.
- Eu posso lhe assegurar, minha querida anã, que temos as armas necessárias para vencer as excelentíssimas damas. - começou Damon, o que eu tinha certeza ser um discurso. - Temos inteligência, temos coragem, temos força para segurar aquela bola.
- Temos três dedos fortes. - afirmou Justin. - Dedos de jogadores profissionais em boliche.
- Então estão querendo nos chamar de burras, é isso? - Caitlin cruzou os braços, a sobrancelha arqueada.
- Estamos dizendo que somos menos frescos do que vocês, mulheres. - Mike afirmou.
- Quêêêê? - a loira arregalou os olhos. Se virou para meu irmão, inacreditável. - Como é que é? Não somos frescas coisa nenhuma! Vocês, bobões, é que não nos dão oportunidade.
- Tudo o que temos é bom senso e inteligência, coisa que não cabe nessa cabecinha dura de vocês. - Caitlin cutucou com o dedo indicador a testa do meu irmão, para dar ênfase ao que dizia. Resolvi ajudar, levantando da cadeira.
- E vocês nunca venceriam as garotas numa partida de boliche. - provoquei, ficando ao lado das outras duas. Os garotos ficaram lado a lado também, e os dois grupos ficaram frente a frente.
- Você acha mesmo? - Justin perguntou, de braços cruzados, olhar desafiador, parado à minha frente. Se ele soubesse o quanto ficava sexy assim!, pensei. Tudo bem, Anna, você vai resistir á tentação por hora. Quando chegar em casa, você vai poder usar e abusar dele, me aconselhei.
- Tenho certeza, querido. - pisquei e ele sorriu. Que lindinho! Se mantenha!
- E o que vocês apostam, garotas? Porque se nós ganharmos, vocês vão ter que fazer tudo que quisermos por uma semana inteirinha. - Damon disse por todos e os outros dois pareciam estar de pleno acordo, como se já tivessem discutido aquela questão muito antes.
- Para nós o mesmo. - falei. - Quando vencermos, vocês farão tudo que quisermos por um mês inteirinho.
- Aumentamos a aposta para um mês, também, se vencermos. Um mês que vocês, senhoritas, terão que fazer o que quisermos. - Mike deixou o tempo para pagar a aposta de igual para igual.
- Como tem tanta certeza de que vão vencer? - questionou Justin, divertido.
- Somos mulheres, isso responde tudo. - dei de ombros, provocativa e divertida. Já sei até o que ele vai fazer para pagar a aposta.
[...]
POV JUSTIN
- Não esquece cara, ainda estamos empatados. Você precisa acertar, porque as garotas estão indo muito bem. - aconselhou Damon, enquanto eu me preparava para jogar. Por um lado estava orgulhoso da minha garota não ter errado nenhuma até agora; por outro, eu já sabia exatamente o que pedir para que ela o fizesse por um mês inteirinho. Fui para a pista e arrumei melhor meu dedo dentro da bola pesada. Dobrei um pouco os joelhos e mirei os olhos na direção dos pinos. Tinha de ser certeiro.
- Vai lá, bonitão! Você consegue! - gritou Anna Mel, tentando me desconcentrar. Mas não vou mentir dizendo que não gostava daquilo, porque, afinal: ela estava me chamando de bonitão aos berros. Eu me sentia muito elogiado, okay?
- Não erra Justin, confiamos em você cara! - gritou Damon, em resposta à Anna. Ri daquela briguinha, tornando a me concentrar no que estava prestes a fazer.
 Ouçam Mirrors - Justin Timberlake
   A verdade é que quando tentei jogar, a música favorita da minha anã preencheu o lugar. Respirei fundo, tentando me concentrar mais uma vez, mas a batida envolvente de Mirrors do Justin Timberlake não me deixava. Eu já podia imaginar que ela estaria cantarolando, animada. Mexendo os pés, dançando contidamente na cadeira. Com essa ideia, virei de costas para a pista e larguei a bola no chão. E ela estava exatamente do jeito que imaginei. Tão empolgada com o a batida da música que não percebeu o que eu tinha acabado de fazer.
  Com um sorriso na cara, andei até ela e estendi minha mão em sua direção. Distraída, ela me olhou de baixo para cima, mexendo a cabeça e cantarolando a letra da música. Quando finalmente percebeu o convite para uma dança, suas mãos tocaram as minhas e nós ficamos em pé ali. Coloquei as mãos em volta de sua cintura, e começamos com passos lentos. Ela estava tão animada! Cantava, agora, mais alto, e pude ver um grande e verdadeiro sorriso invadir seu rosto. Um sorriso que eu não via há muito tempo. Aquilo foi o que bastou para que eu começasse a cantar também. A dança já era muito mais animada, Anna fazia caras e bocas e cantava alto e não dava a mínima se alguém achasse aquilo estranho.  Também não me importei.
- It's like you're my mirror; My mirror staring back at me... - cantarolei junto com ela, o mais idiotas dos sorrisos na cara.
- I couldn't get any bigger; With anyone else beside me... - ela cantou tão alegre e sorridente que aquilo me fez rir.

- And now it's clear as this promise; That we're making... - cantarolei.
- Two reflections into one. Cause it's like you're my mirror; My mirror staring back at me, Staring back at me. - prosseguiu Anna, bem alto.
  Ouvi os outro quatro começarem a dançar em casais, e os garotos pareciam felizes demais para perceber que eu tinha desistido da minha jogada pra dançar com a baixinha. Ashley dançava da maneira que podia, com aqueles sapatos maiores que ela, e Damon parecia achar aquilo uma graça. Caitlin e Mike estavam um pouco mais perto de nós e conversavam animadamente. Mas nenhum deles parecia se divertir tanto quando Anna, que repetia cada palavra cantada, feliz da vida, me incentivando a cantar junto: claro que ela não precisou de nenhum esforço pra conseguir aquilo. Apesar de sentir alguns olhares sobre nós, seis doidos dançando numa pista de boliche, resisti a timidez por Anna.
   E, por mais estranho que fosse, alguns casais tímidos e apaixonados iniciaram uma dança ao ritmo da música. Pouquíssimas pessoas ficaram paradas em seus lugares, assistindo à multidão de "dançarinos" crescer gradativamente. De repente, era como se estivéssemos naquelas festas bonitas de gente rica, todo mundo dançando civilizadamente, felizes, sorridentes até dizer chega, ao som de uma música ideal para o momento. Bem, só pareceu, mesmo, porque aquilo nada tinha a ver com uma comemoração glamurosa. Estava encantado com o sorriso e a alegria que Anna Mel esbanjava ao acompanhar o cantor, uma alegria contagiante e maravilhosa. Tive o prazer de ouvir sua risada entre um berro e outro que dava, vi que ela gargalhava ao ver a loira dançar atrapalhadamente por causa dos sapatos e do olhar de risada de dor de Damon: ela estava pisando no pé dele, várias vezes seguidas. Sem querer, é claro. As coisas não poderiam estar melhores!
- I can see you lookin' back at me; Keep your eyes on me... - cantou ela, dessa vez, olhando com firmeza pra mim.
- Baby, keep your eyes on me. - segurei seu rosto com uma das mãos, acariciando seu rosto com o dedo polegar.
   Nossos rostos se aproximaram devagar, e nossos olhos estavam presos um no outro, uma deliciosa sincronia. Sabe, como nos filmes, só que bem melhor. O momento que se seguiu depois, foi um doce encostar de lábios, que durou segundos maravilhosos. Seguido de um beijo de verdade. Dançamos lentamente, enquanto trocávamos beijos carinhosos, e não me pergunte como conseguimos fazer aquilo. Quando nos separamos, sorrimos e continuamos a dançar. Mike e Caitlin não mais conversavam; pareciam imersos em seus pensamentos, ou, o que eu eu suspeitava, estavam admirando a aparência um do outro em silêncio, quando o clima de romance pairou sobre aqueles dois. 
   Mesmo com o fim da música, Anna não pareceu voltar a ser infeliz e a continuar o luto, permaneceu animada, mesmo que tivéssemos parado de dançar. Os casais ao nosso redor, iam parando aos poucos de dançar, voltando para o momento de descontração em que estavam antes. Mike e Cait soltaram-se a contra gosto(acredito eu) e voltaram lentamente para seus assentos. Sorriram. Anna deixou um beijo na minha bochecha, sorridente, antes de voltar para sua cadeira.
- Obrigada. - disse ela.
- Por nada, anã.
- Cê tem amor pela vida, não? - perguntou de olhos arregalados, já sentada ao lado de Caitlin. Ri daquela ameaça e peguei a bola que tinha jogado no chão. 
- É sua vez de jogar, Justin, vai logo. - reclamou Damon, voltando a vida real. Tinha certeza de que a loira tinha pisado várias vezes em seu pé, sem querer. Deveria estar doendo. - E não erra.
- Erre sim, querido! - gritou Anna.
- Não erra, não! Mostra pra elas que os homens são os melhores. - os dois berraram em resposta. Bobões idiotas, pensei, rindo.
[...]
- Estou acabado! Nunca mais faço uma aposta na vida. - reclamou Damon, se jogando no sofá. 
  Bem, se você está curioso pra saber quem venceu a aposta, releia a frase a cima e vai ter sua resposta. E Damon tinha razão. As garotas estavam adorando aquilo, e nos fizeram lavar toda a louça suja, descongelar a geladeira, lavar o chão da cozinha e ler a correspondência. Aquele era um trabalho que geralmente elas faziam, por não sabermos fazer esse tipo de coisas. E, como não fazíamos do jeito certo (para elas) as garotas nos observavam trabalhar à porta da cozinha, dizendo como deveríamos fazer as coisas. "Você está fazendo errado!" "Você precisa esfregar mais o fundo da panela!" "Não se lava direito o chão, apenas jogando a água. Está esperando que ela faça todo o serviço sozinha? Precisa esfregar!".
   Elas pediram para prepararmos um banho de banheira maravilhoso, com direito a pétalas de rosas, velas aromáticas em cada banheiro. Além de taças com vinho tinto e uma boa música. Ainda tivemos que dar banho nos cachorros, já que eles pareciam não se dar por suficiente todo o trabalho que estávamos tendo, e decidiram que iriam brincar no jardim até ficarem totalmente imundos, para nos dar mais trabalho. E vamos acrescentar de que eles não queriam tomar banho. Agora, elas já estavam em suas camas, dormindo à sono alto, em uma cama grande e macia.  Me sentei numa poltrona e respirei fundo, aliviado por finalmente poder sentar. 
- Porque você tinha que errar aqueles malditos pinos? - perguntou Mike, cansado e irritado.
- Foi sem querer cara...
- Elas vão acabar com a gente. - ele interrompeu as desculpas de Damon, e suspirou.
- Vou ficar pobre. - murmurei.
- Hã?
- Comida.
- Ah, tá, Anna vai torrar seu dinheiro com comida. - entendeu Damon. - Pior será para mim, meu caro. Acho que os senhores já repararam, mas tenho uma namorada louca por sapatos e roupas. 
- Se tivéssemos vencido, eu teria ganhado um beijinho da Caitlin. - Mike murmrou, como se falasse consigo mesmo. - Você realmente não deveria ter errado, cara. - reclamou, em voz alta.
- Sinto muito, cara! - rebateu, cansado. - Você acha que quero passar meus dias batendo pernas no shopping e pintando unhas? E se ela mandar eu usar algo rosa? Se isso acontecer, juro que me mato! - rimos de seu desespero, quando ele passou a mão sobre os cabelos, exasperado.
- Boa noite, galera. - falei levantando, caminhando na direção das escadas. Eles acenaram com a cabeça, em resposta, e continuaram conversando sobre quem ficaria de cabelos brancos primeiro, antes mesmo de terminar o mês. Já no corredor dos quartos, trombei com nada mais, nada menos, do que a loirinha. Fofa como sempre, em seu pijama cor de rosa. Um pouco curto, devo admitir, mas ainda sim, fofa.
- Oi Jujubona! - disse, contente. - Já vai dormir?
- Oi, é, vou sim, estou acabado! - respondi.
- O dia de hoje foi glamuroso, não acha? - começou ela, sorrindo. - Jogamos boliche, apostamos, dançamos, e vencemos a aposta. As garotas, é claro! - esclareceu ela. - Você foi muito fofo hoje, sabia?
- Fui? - perguntei curioso e ela balançou a cabeça, afirmando.
- Sim, muito fofinho, Jujubona! Tirou a Abelinha pra dançar a música favorita dela, tipo, favorita de TODOS OS TEMPOS, mesmo quando era sua vez de jogar. Desistiu daquela jogada por ela. Muito fofiiiiinho! - ela apertou minhas bochechas, enquanto dizia "fofiiiiinho!". Aquilo doeu pra cacete.
- Loira, cê tá machucando minha bochecha. 
- Desculpinhas. - falou sem graça, largando minha cara. Acariciei a região dolorida, para só depois, rir dela. - Mas ela ficou tão feliz! Eu sabia que ela ria de mim, dançando com aqueles sapatos grandes, mas eu e minha beleza não nos importamos; afinal ela estava finalmente alegre. Você trouxe minha abelha de volta. Obrigada.
- Faço qualquer coisa por ela, você sabe. 
- Sim, eu sei. - sorriu ainda mais. - Você sempre este lá por ela, mesmo quando não eram nem mesmo colegas. Como naquele dia horrível que você nos tirou de lá...
- Ashley, por favor, não fale isso em voz alta. - pedi, de repente, olhando para os lados, verificando se não havia ninguém que pudesse ouvir. - Aliás, não fale sobre isso.
- Mas porquê, ora esmaltes? Você é um herói. - disse ela, o tom baixo. - Nos tirou daquele lugar horroroso, quando nós duas estávamos incapacitadas de fazer isso sozinhas. Nos salvou de morrermos queimadas, e isso não é nada do que se deve envergonhar.
- Eu sei, mas se alguém souber, se Anna souber, vai causar um reboliço tremendo...
- Ela não pode passar a vida inteira achando que foi eu, a pessoa que a salvou. Nem estava consciente. Foi você, quem nos tirou de lá, que salvou a vida dela. E a minha também.
- Ashley...
- Não entendo porque não quer que ela saiba que foi você. Nunca contei a verdade para ela, porque prometi a você que não o faria, mas ela precisa saber.
- Obrigada por cumprir a promessa que me fez, mas ainda não estou pronto pra contar.
- E quando vai ter coragem pra falar? Anos se passaram, e para ela, você nunca esteve lá. E você sabe muito bem, Jujubona, que será melhor ela saber por você, do que por outra pessoa.
- Você prometeu que não contaria...
- Não vou contar. - interrompeu. - Mas, cê sabe, sempre tem alguém que sabe além de nós, ou que acaba descobrindo e põe a boca no trombone. E se quer minha opinião, Jujubona fofa, ela vai ficar muito feliz por saber que sempre esteve lá por ela. Vai ficar orgulhosa e agradecida, vai ver.
- Você acha? - perguntei, curioso e confuso. Eu deveria mesmo contar a verdade?
- É claro que sim! Certeza absoluta, Jujubão, cê acha que tá falando com quem? Sou a rainha das certezas, da beleza e de muitas outras coisas glamurosas. - balançou o cabelo, sorridente e eu ri. Ela voltou a ser doida. - Bem, agora me diga, fiel súdito, onde está o meu amado namorado?
- Na sala, conversando com Mike. 
- Glamuroso! - ela deu pra falar isso o tempo todo, nos últimos dias. - Vou lá. Cê acredita que ele não massageou os meus pézinhos fofos? Pois é, isso me revolta também. - e saiu andando, falando sozinha o quanto aquilo era uma falta de respeito para com sua beleza. Agora sozinho no corredor, decidi que ela estava certa. Anna precisava saber, e eu contaria a ela. Mas não agora, não hoje. Em breve.


NOTAS FINAIS
Olá, pessoinhas lindas, como vão? Acho que não demorei muito, né? Ou demorei? O.o Bom, pelo sim e pelo não, aqui está um cap que acabou de sair do forno, só pra vocês. Tentei recompensar fazendo-o beeem grande. O que acharam, vocês gostaram? Está bom? Espero que tenha agradado! Muitos e muitos beijos e até o próximo cap! :3
Roupa da Ash: http://weheartit.com/entry/113327142/in-set/13959417-my-dear-nerd?context_user=Skye_Elise&page=2
Roupa da Cait: http://weheartit.com/entry/78546042/in-set/13959417-my-dear-nerd?context_user=RedGinger23&page=14
Roupa da Anna: http://weheartit.com/entry/88614703/in-set/13959417-my-dear-nerd?context_user=AnjinhaPipocas&page=5
iPod da Anna: http://weheartit.com/entry/127325258/in-set/13959417-my-dear-nerd?context_user=AnjinhaPipocas

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