14 de fev de 2014

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 6 - Louis&Louis

 POV JUSTIN
Pus a bolsa no ombro, me juntando aos outros para sair da sala de aula. Arrumando o óculo, percebi que já nos corredores imensos da faculdade, e me desviava de algumas pessoas que passavam apressadas para chegarem a tempo na aula que aconteceria em alguns minutos. Mesmo de óculos, não tinha esperanças de encontrar Anna no meio de tanta gente.
- JUJUBONA! - um grito conhecido me fez parar instantaneamente onde estava. Quando virei para trás, já com um sorriso, senti o abraço sufocante de sempre. - Passei horas gritando por você, Jujuba!
- Ash eu não consigo respirar. - falei quase sem fôlego por ela estar apertando o meu pescoço. Senti uma onda de alívio percorrer o meu corpo quando ela me largou.
- Desculpa Jujuba. - sorriu sem graça. - Cê sabe onde está a abelha? Já mandei várias mensagens pra ela, e nada de me responder, aquela abelha do mal. - declarou, mostrando (quase na minha cara) o celular cor de rosa, com capinha de coelho, também da mesma cor.
- Não a vi desde que nos separamos para assistir a aula. - respondi. - Mas porque você quer falar com ela?
- Tenho certeza absoluta que ela roubou o saco de M&M e o Ruffles Churrasco da minha bolsa. - esclareceu ela, e eu dei uma gargalhada. - Não ri, Jujubona, ela roubou meus docinhos!
- Desculpa, Ash, mas isso é muito engraçado! E bem a cara dela. - ri mais um pouco até perceber a carinha de má que ela fazia. - Se serve de consolo, acho que ela guardou o que sobrou no segundo bolso maior da mochila.
- Como assim, o que sobrou? Quer dizer que minha comida se foi? Que ela já comeu tudo?
- Uhum. - afirmei segurando o riso. Conhecia Anna Mel melhor do que ninguém pra saber que ela tem um "faro" muito bom para comida, e que, a essa altura, ela já tinha comido tudo o que pegou da mochila da amiga. - Mas já que está com fome, você pode ficar com o meu sanduíche...
- Não, Jujubinha, mas o seu "lanchinho" é meio estranho, pode ficar, brigadinha. - deixou um beijo na minha bochecha. - Mas agora, eu e minha beleza estamos indo pra sala, cê sabe, quero chegar antes da professora e preparar minhas ideias fabulosamente lindas. - continuou apressada, andando para longe de mim. - Ah, e diz pra abelha que vou dar um chute naquele bumbum por ter roubado minha comida, tá? - concluiu gritando enquanto se afastava. Depois disso ela desapareceu no meio das pessoas. Balancei a cabeça, ainda rindo da loucura daquela loira, e segui meu caminho rumo a próxima sala. Enquanto me afastava, notei duas garotas perto da parede de uma das salas, de costas para mim. Logo reconheci a mais alta e apressei os passos.
- Oi, Cait! - acenei para ela, que estava um pouco longe. A garota alta (bem ela era alta comparada a que estava ao seu lado), olhou para os lados a minha procura, antes de me ver caminhar a seu encontro. Ela sorriu, me chamando com a mão para chegar ainda mais perto. Me esquivava das pessoas do jeito que podia, dividindo olhares entre Cait e garota baixinha ao seu lado. Sabia que era Anna Mel, em primeiro pela altura, além dos vários chaveiros de comida que tinha em sua bolsa.
- Oi Justin, é bom te ver. - Cait me abraçou, ao nos separarmos, sorriu para mim. - Ashley já falou com você sobre o Ruffles e o M&M que a nossa anã roubou dela? - perguntou em risinhos baixos, o que também me fez rir. Anna estava ainda de costas para nós, um pouco mais longe da amiga do que percebi de primeira (alguns passos na verdade). Ela falava com um garoto, logicamente mais alto (qualquer um era mais alto que ela), deu algumas notas para ele, e, olhando para os lados, mandou que ele fosse embora. Não sabia o que ela tinha nas mãos, mas Caitlin entendeu minha curiosidade sem que precisasse questioná-la, e isso foi muito bom. - Anna Mel viu Damon por um Doritos na bolsa antes de vir para cá, mas não conseguiu pegar como fez com a loira, então pagou dez pratas pra o garoto da sala dele, tirar o Doritos da bolsa sem que Damon percebesse. - respondeu, ficando agora ao meu lado, enquanto esperávamos a baixinha se virar para nós.  - Ela estava se achando a rainha da maldade por causa disso. - afirmou ela, e foi impossível não rir. - Mas foi bem engraçado ela dando aquelas risadinhas maléficas, achando que estava fazendo uma BIG maldade.
- Fazer o que? Pessoas doidas por comida são assim mesmo. - dei de ombros, acompanhando a risada da minha amiga. - Isso porque não sabe o que ela fez quando descobriu que alguém estava comendo os Doritos dela. Sem saber quem era o autor daquela "barbaridade", ela pôs ratoeiras dentro de alguns pacotes e depois os fechou...
- Como ela conseguiu isso?
- Não faço ideia. Tudo o que sei, de fato, foi que doeu muito quando aquela armadilha acertou em cheio o meu dedo. - Cait riu. - Quando ela descobriu, me vendo com a ratoeira nos dedos disse...
- "Ahá! Peguei você com a boca no Doritos!" - falamos em uníssono, rindo mais uma vez.
- Consegui Cait... - disse Anna Mel se virando para nós, com Doritos na boca, as mãos meladas do sal do salgadinho, a outra mão segurava o pacote, e quando me viu ali, ao lado da amiga, arregalou os olhos surpresa. - Oi Justin, não sabia que estava aqui. - falou de boca cheia, como se tivesse sido pega em flagrante, em meio a um crime terrível. Ela se aproximou um pouco mais, meio receosa. - Está aqui faz muito tempo?
- Um pouco, fiquei conversando com a Caitlin...
- Eu juro que não fui eu, juro mesmo. Foi ele quem me deu esse pacote, eu não mandei ele roubar da bolsa do Damon e dar dez pratas em pagamento! - se defendeu muito rápido, sem quer, entregando o que tinha feito. Cait e eu caímos na gargalhada, e a baixinha não entendeu.
- Como é que você consegue ser tão doida assim? - perguntou a morena "alta", entre risadas. Ainda tinha pessoas passando pelos corredores, parando para conversas assim como nós estávamos fazendo.
- Eu não sou doida, a culpa não é minha se o Damon roubou o meu Doritos. Todos os Doritos que existem são meus, e eu não gosto de dividi-los. - respondeu irritadinha. A puxei para perto, abraçando-a por trás. Ela era tão pequenininha!
- Au!
- Porque a sua bolsa está latindo? - perguntei para Anna, que riu nervosa mais uma vez.
- Minha bolsa? Justin, é impossível bolsas latirem, que pergunta é essa? - mais uma risadinha nervosa. Caitlin ainda ria, negando com a cabeça. - E olha que você é nerd.
- Anna, eu vou pra sala guardar nossos lugares na frente...
- Mas o professor não vai me deixar comer se sentarmos perto dele. - reclamou a minha anã.
- Na terceira fileira tá bom pra você?
- Ótimo.
- Que bom, assim posso comer meus bolinhos também. - comentou sonhadora e Anna Mel arregalou os olhos. Acho que Caitlin se arrependeu de ter falado que tinha comida na bolsa, pelo seu olhar assustado. E tive ainda mais certeza, quando ela saiu correndo (quase como a loira fazia), buscando salvar seu bolinho da boca da minha namorada.
- Hey, não foge de mim! - gritou Anna para a miga que já tinha sumido de vista. - Poxa vida, porque as pessoas correm de mim desse jeito?
- Talvez seja porque pega a comida de qualquer um sem dó nem piedade. - comentei tentando não rir.
- Eu tenho mais fome que eles, estou em fase de crescimento! - alegou ela, se virando para ficar de frente para mim. - Quando eu era pequena, as pessoas que me ofereciam comida, não precisava fazer uma verdadeira Caça ao Tesouro para ter alimento.
- Quando eu era pequena? Fase de crescimento? - perguntei rindo ainda mais alto do que antes. Caitlin deveria ter ouvido essa. E Ashley e Damon e Mike. Era engraçado ouvir ela falar "quando eu era pequena", porque ela ainda é pequena.
- Ai, para vai, eu cresci 5 centímetros. - protestou. - Isso aí já é maldade. - continuou pondo alguns Doritos na boca. Quando parei de rir (mentira, a risada só ficou mais baixa), lembrei do que a loira tinha dito.
- Ah, Ashley mandou dizer que deixou mensagens no seu celular e que você vai levar chutes no traseiro por ter roubado a guloseima dela.
- Como ela sabe que foi eu? Tem seis pessoas na casa, cinco tirando ela. Porque foi suspeitar logo de mim?
- Talvez seja porque você é a única louca por comida entre nós.
- Ah, é mesmo. - concordou ela. - Mas eu já comi tudo, então já era. - deu de ombros, levando mais um nacho a boca. Viu? Eu sabia que ela já tinha comido tudo.
- Au!
- Viu, sua bolsa latiu de novo.
- Bolsas não latem, Justin.
- Au!
- Você está levando a Amora dentro da bolsa? - perguntei desconfiado
- Não, é claro que não. - negou.
- Você tá com aquele olhar de quem está aprontando. - cheguei mais perto e ela recuou até encostar na parede. A movimentação de pessoas tinha diminuído. - Você trouxe a Amora, não foi?
- Não, e minha bolsa não está latindo.
- Au! - vi a bolsa dela se mexer e a puxei para mim, abrindo o zíper o mais rápido que podia, logo descobrindo uma mentirinha cabeluda dela. Apoiei melhor a bolsa nos braços, vendo Amora por a cabeça e parte do corpo para fora da bolsa. Anna riu sem graça. - Au!
- Pois é, não é sua bolsa que está latindo, é a sua cadelinha. - para controlar o nervosismo, Anna comeu mais um Doritos.
- Caramba, como foi que ela entrou aí? - continuou com as mentiras cabeludas.
- Anna Mel...
- Tudo bem, tudo bem, eu admito. Eu a trouxe. - ela ergueria as mãos se elas não estivessem ocupadas. - Mas olha pra ela, é tão fofinha! Eu sinto saudades.
- Mas ela pode atrapalhar a sua aula, e os professores podem brigar com você.
- Não, ela fica quietinha. Passou os últimos dois tempos me vendo comer e fazer anotações. - afirmou ela. Eu sabia que Amora era uma cadelinha obediente, mas aquilo me lembrava da última vez que Anna a trouxe e Angelina tentou por fogo na mochila com a Amora dentro. Ela foi pega em flagrante, quando estava com o esqueiro e o álcool na mão; Anna e Angelina trocaram muitos murros e chutes, mas ela continuou impune. - Se está com medo que alguém ponha fogo nela, fique tranquilo, quem tentou fazer isso não está entre nós. E eu não vou cometer o erro de me separar dela como da última vez, ela está segura. - ela se aproximou de mim, deixando um selinho em meus lábios.
- Hmm, beijo com sabor de Doritos, eu gostei dessa história. - ela riu da minha declaração, pondo os braços em volta do meu pescoço.
- O casalsinho melação está junto novamente. - uma voz de bochada atrapalhou nosso momento. Alguns universitários, paravam para nos observar, já que tinham a certeza absoluta de que Emília pretendia fazer um barraco. - E olha só, trouxeram a pulguenta. - Emília riu o que fez Anna andar na sua direção e ser impedida por mim. Amora estava quietinha como sempre, e aquilo ajudou muito.
- Qual é o seu problema? Nos deixe em paz! - disse Anna com a voz mais firme que tinha.
- Não estou afim, mas obrigada pela sugestão. - debochou Emília, de cabelo loiro da raiz até a metade das mechas e azul em todo o restante.
- Deve ser difícil, não é? Perder a pessoa ao qual você se "escorava" e te usava.
- Angelina não me usava! - berrou Emília.
- Me diga, o que você vai deixar no caixão dela? Flores, camisinhas, abutres ou confetes?! - provocou Anna, enquanto a outra estava descontrolada e era segurada pelo mesmo amigo que a impediu de bater na minha namorada, no dia em que Angelina apareceu morta. Aproveitei a deixa e, abraçando-a de lado, tirei Anna dali o mais rápido que pude. Já longe daquele alvoroço, quase na porta da sala dela, respirei fundo, agradecido por não ter acontecido uma briga.
- Você pegou pesado.
- Como assim, peguei pesado? Ela não se importa com ninguém, faz o possível para humilhar as pessoas!
- Eu sei, mas não se deve falar assim de alguém que está morto, Emília era a melhor amiga, só está magoada.
- Mas isso não justifica nada do que ela fez e faz, Justin. - rebateu Anna, e bom, ela tinha razão. Suspirei e dei um abraço forte nela, com a única mão que estava livre.
- Vai ficar tudo bem, sem a Angelina aqui, ela vai parar de fazer isso com o tempo. - deixei um beijo em sua testa. - E se não ficar, vou estar sempre aqui pra cuidar de você, roubar sua comida e te obrigar a estudar com mais frequência. - ela riu ao final da minha frase. Pus a bolsa dela em seu ombro com cuidado, já que Amora estava ali dentro, e a cadelinha me olhou por alguns meros segundos antes de voltar para dentro da bolsa da dona. O zíper ficou aberto para que ela tivesse mais ar (antes, ele estava aberto até a metade, apenas).
- Cuide disso pra mim, até que possa comê-lo em segurança, okay? - falou ela, dirigindo-se a cadinha, deixando o pacote de Doritos dentro da bolsa. Com as duas mãos ela segurou meu rosto; nos beijamos. - E você vá para a sala de aula antes que o professor brigue com você. - sorri quando nos separamos.
- Pode deixar. - concordei. - E a senhorita trate de ter cuidado para não ser pega comendo. - ela riu. Outro selinho. E outro e outro. Quando me afastei dela, deixando-a a porta da sala, virei e sorri sapeca.
- Até logo, anã! - gargalhei ainda ouvindo ela gritar "vou chutar o seu traseiro, infeliz!". Agora sim, a aula seria bem melhor.
[...]
- Okay, eu ainda acho que não precisamos ir. - parei à porta do restaurante, cruzando os braços. Aquele professorzinho metido a besta ligou para minha namorada perguntando de que horas ela estaria ali. E caso perguntem, segundo ele, todo aluno que passa para a Turma Avançada de Culinária, ia para restaurante ao qual ele era dono pra que os alunos conheçam melhor o futuro ambiente de trabalho. E foi por isso que pus uma das minhas melhores roupas: uma blusa branca de botões com dois ou três deles abertos, blazer azul marinho, calça jeans preta e um sapato social também preto. Ele não fazia ideia de que eu iria acompanhá-la, e tinha certeza de que ficaria surpreso. Aquele idiota achou mesmo que eu deixaria que ele ficasse a sós com a minha Anna Mel em uma cozinha? Babaca!
- Qual é, Justin, não vai começar com isso de novo, não é? - perguntou ela, parando a minha frente. Estava muito linda, mas eu ainda não queria entrar naquele lugar. - Ele faz isso com todo mundo que passa pra Avançada. Só vamos conhecer o restaurante, tirar dúvidas de como funciona e até aprender receitas novas. Aí, quando eu abrir o meu próprio restaurante, você pode me ajudar na administração, podemos trabalhar juntos.
- Querida...
- Além do mais, você vai estar lá comigo, não é? Ou você não confia em mim?
- É claro que confio em você. - respondi rápido. - Só não confio nesse carinha aí. - ela riu. - Mas já que você quer entrar, tudo bem. Mas eu não vou sair um segundo de perto de você, entendeu?
- Tudo bem, papai! - ironizou, rindo um pouco. Nos beijamos por poucos segundos e entramos e mãos dadas. Tudo era lindo e elegante (o que me deixou feliz pela minha escolha excelente de roupa), pude ouvir uma música suave vinda de um piano de calda, um lustre belíssimo no centro do salão, e por fim, mesas redondas espalhadas pelo local, com um pequeno bar nos fundos; sem perder seu requinte e elegância. Eu não gostava de saber que o Louis&Louis, o restaurante mais caro da cidade, pertencia ao meu potencial rival. - O meu vai ser mais bonito e famoso que esse. - ela disse baixinho em meu ouvido.
- É claro que será, querida. - sorri beijando sua bochecha.
- Anna, é ótimo vê-la! - o carinha metido a besta apareceu de repente, andando entre algumas mesas (irritantemente arrumado) com um sorriso na boca. Tive vontade de socar a cara daquele idiota, quando ele deu um abraço nela (não durou muito porque ele percebeu minha presença). - Também é bom ver você, Justin. Não sabia que viria. - sorri forçado, e quando apertamos as mãos, fiz de tudo para esmagar os ossos daquele retardado.
- Pois é, eu também não. - arrumei o óculo. O outro sorrio meio sem graça.
- Então, que lugar você quer conhecer primeiro? - perguntou ele para Anna.
- A cozinha! - respondeu rápido, me fazendo rir pela primeira vez desde que pus os pés naquele lugar.
- Okay, vamos conhecer a cozinha. - ele sorriu.
- Legal. - o sorriso dela era maior ainda.
[...]
- Você quer abrir um restaurante? - perguntou o irmão do professor babaca da minha namorada.
- É sim, é o meu maior sonho. Eu quero isso pra mim desde que era pequena, eu amo cozinhar. - respondeu ela, animada, tomando um gole do vinho.
- E vai ter um tipo específico, ou...
- Não, vou fazer qualquer tipo de comida.
- Pelo jeito seu restaurante será muito famoso. - sorriu e eu me arrumei melhor a cadeira. - Mas você já encontrou um lugar, ou ainda está procurando? Já cuidou da parte da administração? - continuou ele.
- Eu vou cuidar da administração. - respondi curto e grosso para o professorzinho de meia tigela. Vi que ele ficou sem jeito, mas eu não iria aliviar(só não deixaria Anna perceber a minha irritação). - Vamos cuidar juntos dos negócios.
- Isso é muito bom, gostei de ver. - falou o irmão; eu até achei ele legal, vou admitir. - E você realmente tem cara de quem gosta de números e todas essas coisas.
- Obrigada. - agradeci ao elogio com um sorriso no rosto.
- Você, provavelmente faz faculdade de administração, estou certo?
- Não,eu estou cursando música, mas assim que acabar, iriei começar com administração.
- E porque não fez administração primeiro?- dessa vez foi o professor irritante quem falou, quero dizer, perguntou.
- É uma longa história. - respondi simples. Eu até explicaria um pouco mais, porém, eu não queria contar minha história de vida, sofrendo na maior parte dela, Bullying. Mas ele apenas sorriu em troca.
- É, muito bem. E você, Anna? Ainda não falou o que está fazendo.
- Ela faz Artes. - respondeu o professor por ela. Não preciso dizer que não gostei muito daquilo.
- Mas porque, se você gosta tanto de culinária? - questionou Albert, irmão daquele idiota.
- É mais para poder inovar na cozinha, entendes? É bem fácil pegar ideias de coisas que aconteceram anos atrás e, de alguma forma, usar nos meus pratos. - explicou a baixinha. - E depois, eu farei a faculdade de culinária para ter um conhecimento mais amplo. O curso é muito bom, mas não ensina tudo que preciso saber, ou tudo que acho que preciso saber sobre essa área. - respondeu, até séria demais para o meu gosto. Mas aí eu percebi que ela só estava era concentrada no Filé Mignon que o garçom estava servindo. E tive que dar uma risadinha básica a carinha de fome que ela fazia. À pouco, tínhamos acabado de comer Lagosta, e então, Albert pergunta se estávamos satisfeitos e Anna, em sua sinceridade, disse que ainda sentia uma fome descomunal. É claro que ela estava comendo com muito mais classe do que fazia quando estávamos na faculdade ou em casa, mas, ainda sim, agia quase como sempre. Faminta e sem nenhum disfarce sobre isso.
- O que está achando do prato? - questionou Bruce.
- Incrível. Preparado na medida certa. - respondeu de boca cheia.
- Já preparou algum desses, alguma vez? Mesmo que não tenha dado muito certo?
- Sim sim, eu tentei fazer e deu certo, mas preparar Lagosta foi um desafio para mim.
- Porque?
- É uma longa história. Uma longa história cheia de coisas sujas, uma cozinha revirada, pessoas famintas e reclamonas. - respondi por ela, que riu da minha resposta. Em resumo, ela sujou tudo, queimou a panela e a lagosta e comemos macarrão com queijo para o jantar. Admito que foi melhor comer o macarrão com queijo do que a lagosta queimada. Anna passou uma semana inteira desapontada por não ter conseguido fazer o prato de primeira, já que ela sempre conseguia fazer tudo certo logo na primeira tentativa. Na semana seguinte, tentou mais duas vezes, mas parecia que sempre tinha algo errado. Ela não sabia onde estava errando, e isso a deixava muito frustrada. Imaginem uma baixinha irritada, e vocês vão entender exatamente o que aconteceu.
- Me deixe ver, você errou em algum ponto específico? - perguntou o professor com um sorrisinho no rosto. E, novamente, eu não gostei daquilo.
- É, parece que estava faltando alguma coisa, errando sempre no mesmo lugar,... Sei lá! Eu não consigo entender até hoje o que estava acontecendo, o que estava fazendo de errado, entende?
- É claro que entendo, já passei por isso. Mas já que está com problemas, vou ajudar nessa área na próxima aula. - ela sorriu agradecida e feliz. Okay, acho que vou ter que pesquisar formas de intimidar alguém, eu realmente não gosto desse cara. Ou como fazer Lagosta da forma certa e ensinar eu mesmo para ela.
- Obrigada. - deu a última garfada e sorriu feliz. Será que agora ela estava satisfeita, ou queria comer mais alguma coisa? Pelos meus anos de experiência, eu acho que ainda tem espaço para uma sobremesa.
- Está satisfeita agora, querida? - perguntou Albert, como se falasse com uma adolescente problemática.
- Na verdade...  - falou meio sem jeito. - Eu ainda tenho espaço para uma sobremesa.
- Ual! Isso sim é que é comer. - eles riram, admirados pela quantidade de comida que ela conseguia engolir em pouco tempo. E eu, bom, eu já queria ir embora e devorar minha amada pizza de calabresa; se é que Anna já não tenha comido escondido, não é?
- O que deseja?
- Eu acho que já está na hora de irmos, não é, querida? - perguntei me virando para Anna antes que ela respondesse alguma coisa.
- Mas já? Ainda tem a sobremesa.- disse baixo, em um quase protesto. Na verdade, era o protesto mais civilizado que ela já fez.
- Nós comemos no caminho, já está tarde, é melhor irmos. - aconselhei louco para que ela entendesse que eu queria era ir embora dali.
- Fiquem mais um pouco, meu irmão pode levá-los depois para casa...
- Obrigada a gentileza, mas estamos de carro.  - cortei rápido a fala de Albert. Anna pareceu entender o que estava acontecendo(ainda bem!) pois se levantou da cadeira com um sorriso fraco no rosto.
- Eu acho que ele tem razão, já está tarde e temos compromisso amanhã. - disse ela, ao meu lado, onde ficamos de braços dados.
- Mas agradecemos a hospitalidade e a comida estava maravilhosa.
- É verdade, obrigada, nós adoramos tudo. - disse ela, balançando a cabeça, concordando com a minha frase. Eles se levantaram e com um breve aperto de mãos, saímos de lá calados. Tudo que podia ouvir era o som dos saltos de Anna, enquanto andávamos em direção ao estacionamento. A olhava de relance, estranhando o silêncio incômodo dela. Abri a porta para ela, que entrou sem olhar para mim. Fiz o mesmo, sentando, fechando a porta e pondo o cinto.
- Okay, me diga o que está havendo com você hoje. - principiou ela.
- Nada, porque está perguntando isso?
- Você não sabe disfarçar o seu desagrado. - finalmente se virou para mim. - Se estava tão infeliz ali, porque foi?
- Não estava infeliz...
- Ah, por favor, não minta! - aumentou a voz, irritada. Aquela parecia ser a primeira briga séria que tínhamos desde três anos atrás. - Você foi grosseiro e desagradável. Eu estava aprendendo, eles estavam me dando dicas e, enquanto isso, você ficou emburrado o tempo inteiro. - reclamou. - O que está acontecendo com você? Eu fiz ou falei algo errado?
- O que, não! Você não fez nada. - me defendi rápido, sem alterar a voz.
- Então porque ficou tão chateado de uma hora para a outra? Se você está assim, eu com certeza, devo ter feito alguma coisa.
- Você não fez nada, querida.
- Então o que houve? Porque está assim?
- É que eu não gosto desse cara, todo metidinho a besta. - falei sem graça, arrumando o óculo, como sempre fazia quando estava nervoso.
- Espere um segundo. - se virou um pouco mais para mim. - Isso tudo, tudinho, foi porque você estava com ciúmes do meu professor de culinária? - ela riu, incrédula, e aquilo me deixou com muita vergonha.
- O irmão é até legal, mas, ele... Affs! Eu continuo não gostando dele.
- Justin, qual é, já disse mais de um milhão de vezes que você não precisa ter ciúmes dele. - ela continuava rindo, e de certa forma, apesar de ser constrangedor, era também aliviador: afinal, ela não estava mais irritada, não é mesmo?
- Bem, na verdade, não é ciúmes. - comecei explicando, enquanto ela ainda ria. Fui ligando o carro, pra ela não notar minhas bochechas vermelhas. - É apenas minha aversão por aquele ser diabólico e meu instinto de cuidado com você. - ela gargalhou ainda mais e (ainda bem!) finalmente saímos daquele estacionamento, rumo a nossa casa.
- Admitir é fácil e não dói. - aconselhou brincalhona.
- E você deveria tratar de crescer.
- Tá me chamando de anã? - cruzou os braços com aquele olhar perigoso que sempre me rendia boas e velhas gargalhadas.
- Não, não, de forma alguma! - ironizei entre risadas contidas.
- Muito bem.
- Só estou dizendo que você é pequenininha.
- Está me chamando de anã! - berrou ela, irritada. Qual é, é a verdade, não é? Ela é baixinha, ué!
- Não não, anã é uma coisa. Baixinha é outra. - expliquei gargalhando por dentro da carinha que ela estava fazendo. - Se bem que você se parece muito com uma anã. - gargalhei dela, agradecendo pela pista estar quase vazia.  Ela deu um tapa no meu braço, mas eu continuava rindo.
- Quando eu era pequena, as pessoas não ligavam para o tamanho. - discursou ela.
- Quando você era pequena? Você ainda é pequena! - continuei rindo, enquanto ela estava quase tendo um acesso de raiva ali. Mas, admito, era bem engraçadinho.
- É sério, se você continuar nesse ritmo, eu vou chutar o seu traseiro. - reclamou Anna, cruzando os braços e virando para frente.
- É legal irritar você.
- É legal ter um traseiro chutado? - perguntou.
- Minhas pernas são longas, eu corro mais rápido do que você.
- É, mas um dia vai cansar, e é aí que eu entro em ação. Vou te pegar desprevenido, e aí nunca mais você vai falar que eu sou baixinha.
- Eu acho que não. - balancei a cabeça rindo daquela ameaça.
- Você é muito mal. Fica com ciúmes, me impede de comer a sobremesa e ainda por cima, me chama de baixinha. Isso é o cúmulo, Justin!
- Eu sei que você guardou comida na bolsa, pediu comida pra a viagem pro garçom.
- Mas como...
- Eu ouvi o que você falou no ouvido dele. - ela bufou, admitindo e eu sorri. - Eu te conheço melhor do que pensa, baixinha. Achou mesmo que eu não sabia? Eu te amo desde que me entendo por gente, te conheço melhor do que conheço a mim mesmo.
- É, mesmo? Então só por causa disso eu não vou dividir minha comida e nem meus beijos com você. - disse cruzando os braços e arregalei meus olhos ou ouvir aquilo.
- Oi? Vou ficar sem amorzinho gostoso essa noite?
- Com certeza.
- Isso é ser muito má. - falei desapontado. - E se eu disser que tenho Doritos, você interrompe essa greve?
- Eu fico com o Doritos e você continua de castigo. - respondeu firme, para minha completa tristeza.
- Isso não é justo. - reclamei e ela riu.

Notas Finais
Oi pessoas, como vão? Pois é, demorei novamente, eu acho que é impossível controlar a preguiça, ela se apaixonou por mim, sabe? hihi  Mas também vou ser sincera e dizer que uma parte dessa demora era porque estava esperando mais comentários, fiquei um pouquinho decepcionada porque o cap anterior teve só 4. Tem alguma coisa ruim, que vocês não estejam gostando? Se tiver, me digam, por favor, assim eu posso melhorar e dar a vocês uma fic legal, okay? Falem comigo, isso me faz muito feliz, mini doritas. Vocês gostaram desse cap? Ele tá bom, regular ou ruim? Me digam o que quiserem, okay? Estou mais do que disposta a receber críticas construtivas. Espero mesmo que tenham gostado desse capítulo, nos vemos nos comentários? Muitos e muitos beijos e até o próximo minhas flores :D
Roupa da Ash: http://data2.whicdn.com/images/78325372/large.jpg
Roupa da Anna: http://data3.whicdn.com/images/78544087/large.jpg
Roupa da Cait: http://data2.whicdn.com/images/29587916/large.jpg
Celular da Ash: 
 http://usamixshop.com.br/image/cache/data/ACESSORIOS%20PARA%20IPHONE%204/Bunny_Case_Pink-700x700.jpg
Amora na Bolsa da Anna: http://data2.whicdn.com/images/24059660/large.jpg
Roupa do Restaurante da Anna: http://data1.whicdn.com/images/88623507/large.jpg

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