25 de jul de 2015

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 27 - Me Ame ou me Deixe Ir

POV ANNA
  Poucas pessoas estavam no refeitório desde que cheguei. Essa era uma vantagem de intervalos em horários diferentes. Dava tempo para pensar. Apesar de que, mesmo sem Caitlin aqui, minha mesa estava cheia de pessoas que faziam parte do meu grupo de estudos, discutindo o que fazer para o próximo trabalho. Pus o nome dela no grupo, já que minha amiga estava gripada demais para vir hoje. Os alunos de psicologia estavam do outro lado, conversando, estudando, contando piadas de psicólogos. Tentei me concentrar o máximo que pude no livro de história da arte, e até iluminei algumas coisas com marcador azul. Disse para meus amigos que voltaria logo, e deixei meus livros e lápis na mesa, ao lado de Vitória, uma colega de classe e grupo que eu gostava muito. Peguei meu celular e fui.
  Sai do prédio e fui até a mesma pontezinha de quatro dias atrás, e vi Sara para de costas para mim, observando a água abaixo de si. Andei devagar sob o piso de madeira até ela, parei ao seu lado. Ela continuou olhando pra frente, e assim ficamos alguns segundos em silêncio.
- Sempre gostei desse lugar. - disse ela, baixo, como se não quisesse perturbar a paz daquele ambiente. - Venho aqui muitas vezes para pensar, ou simplesmente observar a natureza. É como se nada de ruim pudesse me atingir. Mas atingiu. - então Sara olhou pra mim. - Eu falei com ele.
  Engoli em seco, mas não desviei meus olhos dela. Lembro que naquela noite, Justin estava irredutível, e não queria ouvir nada. Sara não insistiu e deixou que ele tivesse seu momento de fúria e se acalmasse. Eu, por outro lado, sequer me movi do lugar, porque não queria explicar nada. Ele tinha feito bobagens demais para exigir algo, para sequer se sentir no direito de ter raiva. Ele foi embora dali sem deixar a amiga falar, e recomendei a Sara que esperasse até o momento certo.
  Durante esses quatro dias, é claro que ele me evitou como o diabo correndo da cruz. Fiz o mesmo com ele, irritada pelo conjunto de coisas idiotas que ele estava fazendo. Não estava disposta a perdoar. Mas os dias passaram, ele se acalmou e ela conversou com ele. Então Sara me ligou e marcamos aqui, para conversar, mesmo que ela tivesse que perder metade da aula.
.- E como ele está?
- Confuso e furioso. - respondeu ela. - A verdade é que ele não sabe o que quer. E ainda está chateado comigo. E até entendo, já que a situação de vocês é complicada demais.
- Vocês continuarão sendo amigos?
- Não sei dizer. Sinceramente não sei. - ela suspirou. - Sinto muito por tudo isso. Estraguei tudo.
- Você não estragou nada. Não foi culpa sua ele ter caído dali, muito menos ter se tornado um idiota depois disso.
- Acha que as coisas vão voltar ao normal? Acha que ele vai recobrar a memória? E se ele nunca mais me perdoar? - perguntou, e parecia triste com a possibilidade de perder o amigo.
- Um dia, tudo isso vai ser só uma vaga lembrança de tempos distantes e incertos. As pessoas que eu amava e perdi.... eu sequer sabia sua cor favorita, ou o que panejava para o futuro. Sigo firme pensando que um dia vai parar de doer. Talvez nunca pare. Mas a vida é assim. E se ele nunca perdoar você, se nunca mais me amar... vamos ter que seguir em frente mesmo assim.
- Acha que pode me amar algum dia? - perguntou, virando-se completamente para mim.
- Não quero mentir para você. Ainda amo Justin. Preciso me livrar desses sentimentos antes, estar livre primeiro para mim mesma, antes de me apaixonar de novo. Não quero usar você para esquecê-lo, e não quero que pense que é isso que estou fazendo. Preciso de um tempo para mim, entende?
- Sei o que quer dizer. - ela sorriu fraquinho. - Sabe, me apaixonei por você desde a primeira vez que te vi. Quando descobri que você era a namorada do meu grande amigo, decidi te odiar, porque assim seria mais fácil não trair a confiança dele ou de fazer alguma bobagem. Com isso você me odiou automaticamente, porque, vamos ser sinceras, sei muito bem como ser irritante. - ri daquilo. Ri porque era verdade e porque entendi toda a antipatia do começo.
- Sabe mesmo. - concordei.
- Mas quer saber? Não adiantou muita coisa me afastar de você. Mas não vou forçar você a nada. Se um dia puder retribuir,vou estar aqui. - ela se aproximou e deixou um beijo em minha bochecha. - Agora tenho que ir.
  Observei-a enquanto se afastava, aliviada por ser tão compreensiva e uma pessoa maravilhosa. Dois ou três minutos depois, voltei para meu grupo de estudos, sentei e conversei sobre como seria desenvolvido o trabalho. Mas ainda tinha uma coisa a se fazer, e eu não podia esperar mais, apesar de querer muito. Precisava falar com Justin.
[...]
 Ouçam Claire De Lune - Skipping Stones
   Liguei para Ashley avisando que não iria com ela e os outros no carro. Quando a última aula do dia terminou, fui andando até um pub que ficava mais ou menos perto do campus. Pedi um café e uma fatia de bolo, Agradeci por não ter visto Justin durante todo o dia. Observei o céu cinza que se estendia infinitamente, pela enorme janela de vidro do lugar, Me sentia um pouco deprimida.
  Estava pensando nas consequências do que falaria para Justin e talvez até no que ele pensaria de mim se recobrasse a memória. Eu estava desistindo dele. E não tinha muita coisa a ser feita em relação a isso. Peguei minha agenda onde fiz anotações como comprar ração e novos brinquedos para Amora e materiais novos de arte, tentando focar apenas em mim. Já que é assim que seria daqui em diante.
  Agora chovia forte lá fora. A água fazia barulho quando batia no teto, o cheiro de grama molhada rondava o ar e tudo parecia acolhedor. Olhei ao redor, observando as pessoas e imaginando como seria suas vidas, se tinham tantos problemas quanto eu, se tinham olhos cansados ou não, ou se estavam felizes com a vida que tinham ou se desejavam ter mais. Foi assim que reconheci um par de olhos cor de mel, que já me encaravam há algum tempo. Talvez ele tivesse me visto chegar, pensei. Quanto tempo ele estava aqui?
   Fiquei nervosa quando ele suspirou e levantou, vindo na minha direção, então, sem saber porque fiz isso, deixei uma nota de vinte pratas na mesa e levantei, abrindo a porta. Do lado de fora a chuva parecia ainda mais forte, e já estava molhada quando tirei meu guarda chuva portátil da bolsa. Quando o abri, no entanto, percebi que estava quebrado, larguei com uma mistura de raiva e nervosismo na primeira lixeira que vi pelo caminho.
- Anna! - ele gritou atrás de mim. Quer saber? Acabe logo com isso, pensei. Me obriguei a virar e esperar que ele viesse até mim, se parecer se importar em estar totalmente molhado, assim como eu. Tentei ignorar o quanto ele estava bonito.
- O que você quer?- perguntei, quando ele parou na minha frente, um braço de distância.
- O que eu quero? Quero entender o que aconteceu naquela noite. - ele estava calmo quando falou.
- Bacana pra você... estou tentando entender minha vida inteira. Mas em resposta, foi exatamente o que viu.
- Você beijou minha amiga. - acusou ele.
- Sim, beijei.
- E não devia ter feito isso.
- Você está brincando comigo. - acusei de volta. Dei um passo a frente. - E não devia ter feito isso.
- Brinquei com você? Pelos céus, Anna Mel! Você ainda não entendeu minha situação? Eu não lembro de merda nenhuma! Minha cabeça está confusa. Cada um que diga uma coisa e nunca chego a uma conclusão... está tudo embaralhado na minha cabeça. Como quer que me concentre em você? Como pode dizer que estou brincando com você? Eu jamais faria isso.
- Jamais? - eu ri. - Tá. Finjo que é verdade.
- Como é que é?
- Eu entendo, muito mais do que pensa, pelo que está passando. Sei que não é fácil. E não estou te obrigando a se concentrar em mim, a única coisa que eu queria era que você se lembrasse de nós. Dos seus amigos, seu cachorro, sua namorada, sua faculdade, sua vida, Mas você não pode brincar comigo. Uma hora diz que está tentando achar o caminho de volta pra mim, dá a entender que sente algo por mim e me enche de falsas esperanças. Basta apenas uma morena gostosa te dar atenção que você ignora tudo isso. Não sou sua válvula de escape, não sou um brinquedo, sou uma pessoa. Com sentimentos. E estou cansada de sofrer.
- Nunca tive intenção de brincar com você. Mas tente me entender, por favor.
- Tente entender a mim, só por um segundo. Você pode ter perdido a memória, mas eu perdi pessoas que eu amo. E não posso fazer nada para mudar isso. Mas posso mudar as coisas em relação a você. Não vou permitir que me magoe, de qualquer maneira que seja. Me recuso. Por isso, Justin, se decida de uma vez. Não posso esperar você pra sempre, não assim. Já chega! Chega de sofrer. Quero viver minha vida, ser feliz, estou cansada de tudo isso. Vou você me ama, ou me deixa ir.
   Ele não me interrompeu uma única vez, e aproveitei para dizer tudo que pensava e sentia. Quando terminei, ainda chovia forte, estava completamente molhada e ele ainda olhava pra mim. Abriu a boca uma, duas, três vezes, mas nenhuma palavra saiu dela. Decidi não esperar mais, mesmo que doesse muito fazer aquilo.
- Eu faço isso por você. - suspirei, vendo aqueles olhos castanhos completamente perdidos, ainda amando-o, e prometi ser a última vez a encará-lo daquela forma. - Adeus, Justin. Tenha uma boa vida.
  Me virei e continuei andando, deixando-o parado na chuva, sem olhar pra trás.


NOTAS
 Oi oi gente! E então, o que acharam do cap? Espero que tenham gostado. Beijos e até a próxima.
Roupa da Anna: https://lh4.googleusercontent.com/-tGrAjsxDaxw/VNlIqibUHgI/AAAAAAAAApE/_2wPkkR5UUI/w928-h1353/0009.png


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